Logo do Jornal ODiário.com
Bahr Baridades
25/10/2012 - 09h35 - visualizações

Concursos literários: quem acredita?

Autor Bahr-Baridades

.
O Prêmio Jabuti, talvez o concurso literário mais importante do Brasil, vem desapontando os concorrentes sempre que uma decisão é anunciada. Na edição anterior ocorreu uma confusão envolvendo Chico Buarque e seu fraco "Leite Derramado", considerado o “Livro do Ano”, apesar de ter perdido para o livro de Edney Silvestre na categoria Romance. Como resultado, alguns escritores e leitores se mobilizaram para fazer com que Chico Buarque devolvesse o prêmio, o que fez com que a editora Record anunciasse que deixaria de participar da premiação. Em entrevista, Edney Silvestre disse apoiar a decisão da sua editora. Edney, à época, julgou que a polêmica poderia render bons frutos e que a longo prazo seria muito bom para o Jabuti, pois se discutiu um prêmio literário.

Ledo engano!

Neste ano, na apuração dos votos que deram vitória – novamente na categoria Romance - a "Nihonjin", do iniciante Oscar Nakasato, descobriu-se que favoritos, escritores já conceituados, receberam do jurado "C" notas muito baixas, como 0 e 1,5, numa escala de 0 a 10.

Esse tipo de nota é certamente uma afronta para qualquer escritor participante, que tenha chegado à reta final da disputa de um prêmio tão importante como o Jabuti. Pior do que notas escolares a péssimos alunos!

O que nos leva (participantes de concursos literários espalhados pelo Brasil afora) a imaginar quantas fraudes, quanto protecionismo e quanta injustiça ocorrem por conta de jurados como o crítico e editor Rodrigo Gurgel, autor da proeza (e indelicadeza) de conceder notas tão vis aos concorrentes na reta final da disputa.

Para impor seus votos, Gurgel deu, na segunda fase do prêmio, notas zero a livros que ele mesmo tinha avaliado bem na fase inicial, caso de "Mano, a Noite Está Velha", de Wilson Bueno.

O escritor Sérgio Rodrigues disse que o “mesmo resultado poderia ter sido atingido com a atribuição de notas em torno de 5 ou 6, que seriam defensáveis criticamente. As notas entre 0 e 1,5 parecem ter obedecido não só ao desejo de conceder o prêmio a iniciantes mas também ao de ver o circo pegar fogo", avaliou Rodrigues em entrevista à Revista Veja.

Já Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa, disse que o caso abala o Prêmio Jabuti. "Os critérios são bem duvidosos. Achei tão grotesco que me deu tristeza perceber que o prêmio de maior prestígio do nosso mercado literário tenha um jurado desse nível." E para o crítico e tradutor Eduardo Sterzi, a palavra para definir o caso é fraude. "O cara assumiu um compromisso e não cumpriu; pior, avacalhou com o compromisso assumido", argumentou.

Para nós, escritores menos badalados e conhecidos, esse tipo de distorção parece ser a tônica nos concursos literários brasileiros. Chega a ser um indicativo para a não participação, pois nunca se sabe quais são os jurados comprometidos com a seriedade dos concursos – e quais estão prontos a fraudá-los em benefício de parentes, amigos... ou até de suborno, por que não?

618159
0 Comentários
Foto do usuário que comentou a matéria

Relacionadas