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Bahr Baridades
13/08/2014 - 10h35 - visualizações

Alimentos: falhas imperdoáveis

Autor Bahr-Baridades

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Se existe um setor em que o rigor máximo de qualidade precisa ser observado, é o de alimentos. Por isso, é inconcebível a frequência com que espocam notícias na mídia relatando casos de problemas com alimentos industrializados.

A mais recente é sobre um problema ocorrido com o Toddynho, alimento consumido principalmente por crianças. Das 8.910 unidades de 200 ml do achocolatado Toddynho distribuídas com conteúdo inadequado no Rio Grande do Sul, 2 mil foram recolhidas e outras 6 mil estão em pontos de venda como supermercados, lanchonetes e cafés ou na casa de consumidores. O levantamento foi divulgado pela PepsiCo nesta terça-feira, 12.

Segundo a empresa, “houve um problema no tanque esterilizador durante o processo industrial em 3 de junho, o que a levou a separar para descarte toda a produção da bebida daquele dia e também do dia anterior  e posterior”. Nos últimos dias, a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul recebeu reclamações de dois consumidores que sentiram náuseas depois de ingerir o achocolatado. A Anvisa vai aguardar a documentação pedida à PepsiCo e informações a serem repassadas em reunião para decidir as medidas que vai tomar.

Também nesta terça-feira a Vigilância Sanitária de Santa Catarina determinou o recolhimento de um lote de leite UHT integral da marca Lajeado Grande após a confirmação da presença de formol no alimento. Mais uma vez se repete um problema que virou lugar comum no processamento do leite. A Vigilância Sanitária informa que o produto não deve ser consumido, pois apresenta risco à saúde. As reclamações partiram de consumidores de Blumenau. O formol é geralmente misturado ao leite para aumentar a vida útil do produto, mas é considerado cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC) desde junho de 2004.

Outro problema gravíssimo que ocorre em nosso país é a comercialização de carne proveniente de abate clandestino: estima-se que no estado de São Paulo, 50% da carne consumida pela população não é legalizada e vem do abate proibido. È evidente que esse tipo de atividade é totalmente ilegal e caracteriza crime: sem controle de origem, pode provocar doenças gravíssimas como tuberculose, brucelose, raiva, cistosicose, etc

Como se não bastasse, aprendemos recentemente que o queijo Minas frescal vendido em supermercados pode apresentar concentração de Escherichia Coli acima do limite da legislação para coliformes a 45 C (fecais), ovque indica perigo de contaminação por bactérias causadoras de doenças. Queijos pesquisados de várias marcas foram analisados 7, 14 e 21 após a data de fabricação descrita na embalagem. "Devido a grande umidade, o queijo Minas frescal se deteriora rapidamente e desde 1998 a validade aumentou de 15 para até 30 dias", afirma a professora da FCF, Susana Saad, coordenadora da pesquisa. "Em geral, o produto está impróprio para o consumo aos 21 dias de fabricação, mas seis marcas analisadas já estavam impróprias em uma semana."

Tudo isso nos leva a uma conclusão: o grau de desconfiança do consumidor em relação aos produtos alimentícios que consome deve ser programado para “alerta máximo”. E não se trata apenas de verificar datas de fabricação e vencimento. O consumidor precisaria verificar as condições de armazenamento, refrigeração, transporte e até de fabricação – o que obviamente é impossível. Então, cabe à Vigilância Sanitária toda a responsabilidade pela saúde dos consumidores brasileiros. Será que esta instituição cumpre à risca sua delicada missão?

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