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Bahr Baridades
02/05/2018 - 07h37 - visualizações

"Administradores" ou milicianos?

Autor Bahr-Baridades

A grande tragédia que ocorreu ontem, primeiro dia de maio, em São Paulo, alia a pobreza de famílias "sem teto" à incompetência federal e municipal e, principalmente, nos revelou a malandragem de pessoas ou grupos que cobravam "taxas de administração" daquelas famílias paupérrimas, mães com cinco, sete filhos, muitas sem o pai de família presente, imigrantes que mal falam o português, todas vivendo miseravelmente em um edifício originalmente construído para abrigar espaços comerciais.

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Alguns moradores revelaram que lá existiam "administradores", cobrando taxas mensais entre R$ 80,00 e R$ 400,00 por família, apenas para admitir a possibilidade de os "inquilinos" morarem num espaço precário, dividido por tabiques, com gambiarras na fiação elétrica, cercados de ratos, sem elevador, sem coleta de lixo, sem água, sem esgoto, obrigados a subir e descer até dez andares a pé.

Cálculos simplistas revelam que os tais "administradores" recebiam mensalmente algo em torno de R$ 20.000,00 mensalmente e, como nada ofereciam em contrapartida, pode-se deduzir que estas cobranças representam uma extorsão indevida, exatamente

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como fazem os milicianos no Rio de Janeiro, que dominam a entrega de gás, de moto-táxis, de vans e até de "net-gatos" nas favelas, obrigando os moradores a pagarem taxas mensais de proteção apenas para continuarem em suas precárias habitações.

De acordo com as informações prestadas pela Prefeitura paulistana, há mais setenta edifícios ocupados irregularmente na mesma situação de precariedade como este que ardeu em fogo e desabou. Não seria hora de checar a ação dos tais "administradores" e simplesmente mandá-los à cadeia?

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