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Bahr Baridades
12/02/2019 - 22h50 - visualizações

Os "coronéis"

Autor Julio Ernesto Bahr

A recente eleição para a presidência do Senado golpeou e jogou na lona um dos remanescentes assim chamados "coronéis" do Nordeste: Renan Calheiros. Seu poder é tanto, que apesar de estar envolvido em várias  irregularidades - inclusive a citação em pelo menos quatro inquéritos autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, ele parece ser inatingível e continua ativo na política nacional. Foi derrotado mas certamente ressurgirá das cinzas.

O coronelismo é um fenômeno nacional e também latino-americano - nossos vizinhos os chamam de caudilhos. Aqui há "coronéis" à moda antiga, como Sarney e Henrique Eduardo Alves, e outros modernizados, como Tasso Jereissati.

Talvez o exemplo mais clássico de "coronel" seja o ex-presidente e ex-tudo José Sarney. Seu culto à personalidade se manifesta batizando todos os logradouros públicos possíveis. O nome Sarney está em 161 escolas, no interior e na capital além de maternidades Marly Sarney (mulher dele), o Fórum Desembargador Sarney Costa, a Ponte José Sarney, a Rodoviária Kiola Sarney (mãe dele), a Avenida José Sarney, o Tribunal de Contas Roseana Sarney e o Fórum Trabalhista José Sarney. Em 2013, a blogueira/jornalista Alcinéia Cavalcanti usou a expressão "Xô, Sarney!" e por esta e outras que ela escreveu, a Justiça do Amapá determinou o bloqueio das suas contas bancárias, condenando-a ao pagamento de  mais de R$ 2 milhões, com juros e multas. Coisas que só os "coronéis" conseguem.

Outro "coronel" é do Ceará, Ciro Gomes, cearense, com sotaque inconfundivelmente nordestino. Age como se comandasse tudo e à todos, além de ser pirracento e briguento (o vídeo mostra Ciro batendo boca na frente do prédio onde mora, xingando manifestantes e ameaçando inclusive partir para luta corporal),

CIRO GOMES AMEAÇA MANIFESTANTE. Country & Rock FM

O "coronel" paraense Jader Barbalho já foi um dos homens mais poderosos da República, ministro duas vezes no governo José Sarney, envolveu-se em escândalos de corrupção nos cargos públicos que ocupou, presidiu o Senado, foi algemado e preso. Foi acusado de desviar recursos da Sudam e do Banpará, e de ter criado um projeto fantasma em ranário da sua da mulher com recursos públicos. Continua livre e age como se nada disso fosse com ele.

Os velhos "coronéis" que dominavam seus "súditos" com o voto de cabresto e cartucheira atravessada no peito à la Lampião, foram substituídos por bacharéis, pessoas ilustradas e que sabem onde está a força do poder. E continuam em ação. Principalmente no Nordeste.

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