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Bahr Baridades
14/02/2019 - 08h25 - visualizações

Aeroportos e os dramas habitacionais

Autor Julio Ernesto Bahr

Eis um problema sério que ocorre na maioria das grandes cidades brasileiras: os governantes enfrentam uma luta permanente para coibir invasões de terrenos, construções irregulares - inclusive em mananciais e áreas de risco - e o crescimento no número de moradores em locais pouco recomendados, inclusive próximos a aeroportos.

Em São Paulo, o aeroporto de Congonhas é exemplo clássico. Quando foi construído, o local escolhido era ermo e distante do centro da cidade. Os bairros foram crescendo, novos bairros surgiram e as casas e edifícios foram tomando conta dos espaços.

Em julho de 2007, após "n" acidentes e inúmeras reclamações dos moradores do entorno do aeroporto, um juiz federal proibiu operações de pouso e decolagem entre 23h e 6h. Também estabeleceu a proibição de checagem de motores entre 22 horas e 7 horas, visando o "sossego e a qualidade de vida". As exceções se restringiam a aeronaves que transportassem passageiros enfermos ou gravemente feridos, órgãos vitais para  a realização de transplante e operações de busca e salvamento.  

Como as fotos mostram, o Aeroporto de Congonhas surgiu bem antes das construções do entorno. Mesmo assim, os novos moradores conseguiram reduzir o horário de operações. Houve até o caso de um hotel de 11 andares construído a 600 metros da pista de pouso e que atrapalhava o tráfego dos aviões que decolam do Aeroporto de Congonhas. O hotel nem possuía as licenças de funcionamento.

O Aeroporto de Guarulhos sofreu com o mesmo problema: uma favela de 5.000 barracos havia sido erguida clandestinamente às margens da cabeceira da pista comprometendo a segurança dos pousos de aeronaves. Outras construções que se instalaram no entorno de Cumbica e poderiam ter sido evitadas desde a década de 80, chegaram a emperrar as obras de ampliação.

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