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Fernandonande
06/12/2018 - 14h07 - visualizações

No Brasil, é “feio” gostar de matemática

Autor Fernando Nandé
. Fernando Nandé

O jornalista e matemático George G. Szpiro, no prefácio de sua obra A vida secreta dos números, descreve uma hipotética cena muito interessante, a qual, certamente, já deve ter se repetida com quem lida com Ciências Exatas. Ao exibir seus talentos numa festa, comenta Szpiro (2011), se um sujeito declama versos de poema desconhecido, logo será considerado erudito e cheio de charme. Ao passo que, se ele recitar uma fórmula matemática, ninguém vai achar graça e provavelmente, o sujeito receberá o título de “o convidado mais chato”. A coisa, ficaria mais séria, acreditem, se fosse uma apaixonada pelos números.

Na mesma festa, com naturalidade e “com a concordância dos convivas”, observa Szpiro, “a maioria das pessoas admitirá não ser, nunca ter sido e jamais vir a ser boa em matemática”. Se, por um lado, pessoas letradas confessam alguma deficiência em outras áreas, artes e literatura, por exemplos, ela corre o risco de ser taxada de ignorante, por outro, qualquer deficiência no conhecimento de matemática é aceita com compreensão por todos. Ou seja, há nessas observações algumas constatações empíricas: existem deficiências confessas na aprendizagem da Matemática, porém uma deficiência socialmente aceita, ao passo que, aquele que se aventura neste campo do conhecimento, passa a ser “marginalizado”.

Por dedução simples, concluímos que, se há deficiência na aprendizagem, essa deficiência é decorrente do ensino, considerando que temos um binômio indissociável entre esses dois entes da educação. De fato, essa deficiência matemática é demonstrada por vários estudos de organizações de pesquisa, privadas ou públicas. Um dos mais recentes foi divulgado pela assessoria de imprensa do Ministério da Educação (MEC), em 06 de dezembro de 2016, com base nos dados de 2015 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Pisa constata que o Brasil figura há pelo menos 10 anos entre os países com baixo desempenho na área educacional. Esse programa da OCDE mede o conhecimento dos estudantes de 72 países em leitura, Ciências e Matemática. Nessas áreas, a média dos brasileiros ficou aquém das alcançadas pelos estudantes dos outros países avaliados. “Em matemática, o país apresentou a primeira queda desde 2003, início da série histórica da avaliação, e constatou que sete em cada dez alunos brasileiros, com idade entre 15 e 16 anos, estão abaixo do nível básico de conhecimento”, revela o material jornalístico do portal do MEC (2016).

Em matéria sobre essa pesquisa do Pisa, o jornal Valor Econômico (2016) destaca o resultado nosso mau desempenho em matemática e aponta que o Brasil alcançou média nesta disciplina de 377 pontos, contra os 490 pontos da OCDE; “70% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível 2, considerado o mínimo aceitável pela OCDE para que o aluno possa exercer a cidadania, percentual que é maior na República Dominicana (90,5%) e bem menor na Finlândia (13,6%)” (VALOR ECONÔMICO, 2016). Assim, o Brasil se posiciona como um dos países com alunos de pior desempenho em Matemática, conforme informa o jornal:

Esses números trazem um alerta para as autoridades brasileiras e também para educadores ligados ao ensino das disciplinas avaliadas, especialmente da Matemática. Quanto às autoridades, o Valor Econômico (2016), na mesma matéria já citada, revela a opinião da secretária-executiva do MEC, Maria Helena de Castro, sobre o desempenho global do Brasil na pesquisa, incluindo outras disciplinas, que também não se demonstraram satisfatórios. “Para ela [Maria Helena de Castro] o caminho para a reversão do quadro educacional brasileiro passa por melhorar a formação dos professores e a qualidade do material didático”.

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