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Josepedriali
21/12/2018 - 15h18 - visualizações

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Eduardo, o aspone do papai Jair

Autor José Pedriali

Uma das inovações mais esdrúxulas do PT (a maior foi organizar metodicamente o saque amplo, geral e irrestrito aos cofres públicos) foi a criação do cargo de “assessor especial da presidência para assuntos de política externa”. O cargo foi dado ao professor da USP e secretário de Relações Internacionais do PT Marco Aurélio Garcia.

Esdrúxula porque a função de assessor o presidente da República em assuntos da área compete ao ministro das Relações Exteriores – assim como os de economia ao ministro de Economia, saúde ao ministro de Saúde, etc.. E também porque enquanto vigorou tal cargo, a função de chanceler foi de fato exercida por Garcia, submetendo-se o ministro de fato e o Itamaraty a uma situação de constrangimento sem precedente na história brasileira.

O presidente eleito Jair Bolsonaro, pelo visto, está disposto a seguir o procedimento do PT, embora de maneira informal: seu filho mais velho e deputado federal Eduardo está fazendo as vezes de Garcia, agindo e falando como se fosse o futuro chanceler.

E por falar em chanceler, Ernesto Araújo foi indicado pelo pretenso filósofo Olavo de Carvalho, seu tutor ideológico – assim como da família Bolsonaro -, mas quem deu a palavra final foi Eduardo. E competiu a ele, o primogênito Bolsonaro, realizar a primeira viagem ao exterior representando o papai.

Ele esteve (ou ainda está) nos Estados Unidos, onde conversou com a equipe do presidente Donald Trump, membros do Conselho de Segurança Nacional e do Congresso. Em entrevista à imprensa, assegurou que a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Israel acontecerá a qualquer custo, faltando definir apenas a data. E que o futuro ministro da Justiça Sergio Moro terá, entre suas funções, a de “aumentar a pressão” sobre o governo ditatorial de Nicolás Maduro (outra coisa esdrúxula, já que toda iniciativa na área internacional tem sido até agora de responsabilidade do Itamaraty…)

Eduardo consolida-se, assim, na função de aspone do papai Jair e sinaliza que é ele, em nome do papai presidente, que dará as cartas para o futuro chanceler colocar na mesa. Chanceler que, por suas declarações e escritos, propõe para a nossa política externa uma mudança radical, submetendo os interesses nacionais à ideologia professada por ele e pela família Bolsonaro.

Assim como fez o PT em relação a seus ideais e interesses financeiros por meio de Garcia e os chanceleres que lhe disseram amém.

Como a esperança é a última que morre, resta torcer para que, uma vez empossado, Bolsonaro coloque ordem na casa e determine que quem conduz a política externa é o chanceler e que essa política nãos e afastará da venerável tradição brasileira de colocar os interesses da Nação acima de quaisquer outros.

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