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Messiasmendes
10/03/2018 - 19h35 - visualizações

Medellín, o bom exemplo do combate à criminalidade

Autor Messias Mendes

Medellin era até os anos 90 uma das cidades mais violentas do mundo. Com a morte de Pablo Escobar, o chefão do cartel que espalhava o terror por toda a Colômbia, a segunda maior cidade do país (4 milhões de habitantes) se mobilizou e passou por um processo batizado de “arquitetura social”. Essa arquitetura se baseava principalmente na recuperação de espaços públicos , principalmente nos bairros pobres. Fazendo parte do conjunto de ações pela recuperação da autoestima dos munícipes, classe política e sociedade civil organizada se uniram e decidiram que não havia outro mecanismo melhor para combater a violência urbana de que a educação e a cultura. Assim, foram espalhadas bibliotecas por toda a cidade.

No que diz respeito às forças de segurança, a pressão social exigiu mudanças radicais no conceito de segurança pública, começando por limpar a polícia, com a exclusão de toda a sua banda podre. A partir daí, os comandantes militares passaram a desenvolver programas de maior integração das suas tropas com a população. O resultado desse grande projeto de pacificação da sociedade medelinense foi uma redução drástica da criminalidade. Nos últimos 12 anos, os índices de homicídios despencaram. Assisti há pouco no canal Mais GloboSat uma reportagem atualizada sobre Medellin, onde é comum se ver jovens lendo nos shoppings, nos bancos das praças, nos pontos de ônibus e claro, nas bibliotecas, sempre lotadas. Evidente que não é essa a única razão a justificar ser Medelin uma cidade modelo no continente. É um conjunto de políticas públicas voltadas para o social, que em pouco mais de uma década apresenta resultados surpreendentes. Nós brasileiros, que nem fazíamos ideia de como estava a capital colombiana do narcotráfico até os anos 90, passamos a conhecer a Medellin atual por meio das manifestações de solidariedade de seus habitantes por ocasião do acidente com o avião da Chapecoense. Medellin é, enfim, um exemplo que deveria inspirar os candidatos a presidente do Brasil, governadores, senadores e deputados. E aos brasileiros cabe a tarefa de refletir sobre isso, começando por rejeitar com veemência teses absurdas como as de Jair Bolsonaro, que acha que pode acabar com a violência em nosso país, metralhando favelas, executando delinquentes nas ruas e armando toda a população. Não dá pra aceitar tamanha imbecilidade.
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