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Messiasmendes
06/12/2018 - 14h27 - visualizações

Extinção do MT prejudica um lado das relações capital x trabalho. Adivinhe qual?

Autor Manuel Messias Mendes Almeida

Relegar as relações de trabalho a um segundo plano é uma forma de dizer aos trabalhadores: pra que direitos se  o importante é o emprego ? Bolsonaro repete esse discurso desde o início da campanha, quando já dava sinais claros de que, uma vez eleito , atuaria em defesa do capital e jamais do trabalho.

A extinção do Ministério do Trabalho e Emprego diz tudo. É fato inegável de que a pasta tem passado  nos últimos anos por um processo de desvirtuamento tal, que  pouca relevância tem tido enquanto mediador das relações empregado/empregador. Tem sido o MT,inclusive , um dos ministérios mais envolvidos em casos de corrupção, como atesta o recente escândalo da vende de cartas sindicais.

Mas institucionalmente, trata-se de  uma das pastas mais importantes do governo, seja  qual for o presidente. Basta lembrar que é atribuição do Ministério do Trabalho classificar pequenas, médias e grandes empresas; fiscalizar o trabalho escravo e o trabalho infantil, que tem atingido proporções alarmantes em nosso país e  editar normas de monitoramento dos sistemas de prevenção a acidentes de trabalho, entre outras coisas.

E nunca é demais destacar que é de responsabilidade do Ministério do Trabalho a gestão dos recursos do FGTS e do FAT, que juntos, somam 792 bilhões de reais. É dinheiro usado para pagamento de abono salarial, seguro desemprego, PIS e também para investimentos em programas de moradia popular , caso do Minha Casa, Minha vida e projetos de infra-estrutura vitais para a qualidade de vida da população, como o saneamento básico.

Com a extinção, as atribuições do Ministério do Trabalho e Emprego serão  pulverizadas para outras pastas, devendo a mais importante, que é a administração desse quase trilhão de reais do FAT E FGTS cair nas mãos do super-ministro da fazenda Paulo Guedes. E que destinação será dada a essa dinheirama ? Podem apostar: o dinheiro será usado para pagamento de juros e de serviço da dívida. Não há garantia de que destinação mais nobre possa ser esperada pelo futuro governo, cujo chefe deixou mais uma vez explicitada esta semana a sua aversão ao trabalhador, quando declarou sem nenhum constrangimento, que “é horrível ser patrão”.

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