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30/03/2010 - 17h44 - visualizações

Itália 1934: A Copa do fascismo

Autor Antonio Marcos

Com o sucesso da primeira edição, no Uruguai, a Copa do Mundo despertou o interesse de dois países europeus. Suécia e Itália queriam organizar o Mundial de 1934, mas por motivos diferentes. A primeira estava de olho nos lucros do evento, enquanto a segunda queria usá-lo para promover o regime fascista.

Os suecos desistiram por falta de condições financeiras. Restou à Itália, comandada por Benito Mussolini, apenas a confirmação do interesse na realização do torneio, mesmo no momento em que uma séria crise institucional se abatia sobre o país.

Na parte técnica e tática, a segunda Copa evoluiu bastante em relação à primeira. Em comparação com o anterior, o Mundial de 34 apresentou um equilíbrio maior entre as seleções. Só não foi melhor porque o campeão Uruguai se recusou a participar em represália contra a ausência de muitos países europeus quatro anos antes, em sua casa.

Mais uma vez dividida, agora entre profissionais e amadores, a seleção brasileira não conseguiu passar à segunda fase, sendo derrotada pelos espanhóis por 3 a 1 logo na estreia. Ao lado do Brasil, Argentina, Estados Unidos e Egito perderam no duelo inicial, deixando a disputa do título exclusivamente para os países europeus.

Interessado em tirar o máximo proveito político da competição, Mussolini acompanhou pessoalmente todas as partidas da Copa, inclusive a final. Os italianos, pressionados por "Il Duce" (como era conhecido o líder fascista), venceram a Tchecoslováquia por 2 a 1 na prorrogação e ficaram com o título.

Itália campeã 1934


Estatísticas da Copa de 1934
Jogos

Duração:
15 dias
Países:
16
Jogos:
17
Prorrogações:
3
Decisões por pênaltis:
0
Cidades-sede:
8

Gols

Pró:
70
Contra:
0
Média:
4,11
Jogadores que marcaram:
44
Melhor ataque:
12 gols (Itália)
Pior ataque:
1 (ROM, BRA e EUA)
Melhor defesa:
2 (Romênia)
Pior defesa:
8 gols (Alemanha)

Público

Total:
395.000 pessoas
Média:
23.235 por jogo
Estádios:
8
Maior:
50.000 (ITA x TCH)
Menor:
3.000 (ALE x SUE)

Arbitragem

Número de árbitros:
11
Países com árbitro na Copa:
7

Dinheiro e Mídia

Jornalistas:
270
Lucro:
60.000 francos
'Convite':
Leônidas da Silva recebeu 30 contos de réis da CBD para defender a seleção na Copa (um Ford de luxo custava cerca de 4 contos de réis na época)

Outros Números

Jogos do Brasil nas eliminatórias:
O Peru, único adversário da seleção, desistiu da disputa
Europeus nas quartas de final:
8

Brasil de 1934


O Brasil parece não ter aprendido com os erros da Copa de 1930, no Uruguai. Quatro anos mais tarde, na Itália, os problemas e o resultado foram os mesmos: elenco desfalcado pela briga entre paulistas e cariocas e eliminação logo na primeira fase.

Em sua mais breve campanha em Copas do Mundo, o Brasil viajou 15 dias de navio até a Europa e viu o sonho de conquistar o título se desfazer em apenas 90 minutos de bola rolando, com uma derrota incontestável para a forte seleção espanhola.

Dessa vez, a divisão foi entre profissionais e amadores. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) condenava o profissionalismo, já instalado em São Paulo. Para tentar convencer alguns profissionais, a CBD ofereceu pequenas fortunas em dinheiro pela participação no Mundial.

O amadorismo era tamanho que, no papel, Luís Vinhais era o treinador, mas quem exercia o cargo era Carlito Rocha. Inscrito como árbitro, Rocha não poderia, oficialmente, comandar a equipe do banco de reservas e, dessa forma, acompanhava as partidas como delegado do grupo brasileiro.

Na Itália, apenas um treino antes da partida contra os espanhóis foi realizado. Durante a viagem, os 15 dias no navio engordaram muitos jogadores, que não tiveram tempo para recuperar a forma física.

Pouco inspirado e sem mobilidade, o Brasil sucumbiu. Aos 30min de jogo, a seleção brasileira já perdia por 2 a 0, ambos os gols marcados por Iraragorri.

Quando a partida ainda estava apenas no 1 a 0 para os espanhóis, aos 17min, Waldemar de Brito cobrou pênalti defendido pelo fora-de-série Zamora, destaque entre os goleiros da primeira metade do século 20.

A defesa de Zamora, além de impedir o empate do Brasil, abalou o ânimo dos jogadores brasileiros e deu inspiração para que a Espanha aumentasse a vantagem. No fim do primeiro tempo, o Brasil era derrotado 3 a 0 - Langara havia marcado o terceiro.

Aos 27min da etapa final, Leônidas da Silva começou a escrever seu nome na história ao marcar o único gol da seleção brasileira. A derrota eliminou o Brasil logo na estreia, impondo ao país a sua pior campanha em Copas do Mundo.

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