Desafios e imaginação: hoje é dia da infância*

Todo adulto costuma olhar para trás e relembrar ensinamentos vivenciados na infância. Seja um tombo no piso molhado ou uma bronca do professor de matemática, a infância é uma fase inesquecível e o modo como ela é vivida influencia – e muito – no adulto que está em formação. Hoje é Dia da Infância, menos comemorado que o Dia da Criança, em 12 de outubro, esta data não serve para ganhar presente, pois tem sido época de reflexão sobre como estão os pequenos e como serão os seus futuros. Observando isso tudo, é possível enxergar a sociedade de amanhã.

“A infância é o reflexo do que a sociedade a oferece”, avalia Vandré Fernando, Conselheiro Tutelar de Maringá. Se a criança, assim como o adolescente, tem seus direitos garantidos, previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e uma boa referência na família, é bem provável que ela se desenvolva de forma saudável e tenha em si os princípios cidadãos. Por outro lado, Vandré ressalta que na falta da estabilidade familiar, é dever de todos zelar pela vida dela, em especial do poder público. “Se ambos falharem, se forma mais um filho do crime”, relata Vandré, cujo papel é intervir pelo bem-estar de crianças e adolescentes.

A felicidade pode ser buscada a partir do senso de responsabilidade: respeite os direitos alheios, mas cobre também os deveres

Mas como formar verdadeiros cidadãos, que desde a infância desfrutem dos seus direitos e deveres? Não há uma receita pronta, mas é fundamental que a criança tenha boas referências, isto é, os adultos que a cercam precisam ser exemplos positivos para sua formação. Ela precisa fazer parte de um contexto repleto de possibilidades para o crescimento. No Centro Comunitário de Assistência Social, da Legião da Boa Vontade (LBV), de Maringá, as crianças do contraturno escolar participam de prevenções de isolamento e também integram experiências favoráveis à sociabilidade. Lá elas aprendem a respeitar o próximo como serhumano e percebem que o afeto e o carinho, junto com o respeito, são partes indispensáveis na vida de qualquer um.

Coordenadora da LBV desde 2007, Vânia Carla de Melo Barros, explica que os momentos vividos precisam ser cheios de situações que misturem desafios e imaginação. “A formação, a participação da família e da escola neste aprendizado é importante para que as crianças lembrem-se dos momentos agradáveis e de grandes ensinamentos, sem deixar de lado o encantamento da infância”, explica. O ECA tem sido trabalhado em muitas escolas, mas as crianças precisam entender que além de direitos, elas também têm deveres a serem cumpridos, portanto, elas precisam ser parte da garantia dos seus direitos.

Ninguém pode desrespeitar o direito de ninguém. Da mesma forma que o jovem tem direito à dignidade e à liberdade, o adulto, seja ele pai ou professor, também é defendido pelas leis. Vânia considera que ser criança é viver desenhando cada dia um aprendizado. Ela afirma que “para a construção de uma geração integrada, solidária e altruísta é preciso que o aprender esteja pautado nos valores”. Infância é época de ser feliz, para isso uma dica básica: respeite os direitos alheios e cobre os deveres.

*matéria publicada hoje na página do Diário na Escola

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