Pais que ensinam com o exemplo

Um fator muito importante e comprovado pelas estatísticas diz que a cada nova geração o nível de escolarização dos brasileiros tem aumentado. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) do IBGE mostram que a taxa de escolarização da população com idade entre sete e 22 anos aumentou de 62,4% em 1992 para 75,2% em 2009.

Isso significa que os filhos estão indo mais longe e tendo melhores chances de estudo que seus pais. Diante dessa realidade, fica a pergunta: como apoiar as crianças nos estudos quando se tem dificuldades em relação ao conteúdo que está sendo ensinado? Ou, em alguns casos, como dar a eles o exemplo de que é importante e vale a pena estudar quando não se teve oportunidade de frequentar por muito tempo a escola?

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

PARCERIA. Pai e filho dividem rotina de afazeres em casa e na escola, uma iniciativa que deu certo.

O auxiliar de metalúrgica, Luiz Carlos de Souza é um exemplo de resposta para os questionamentos acima. Aos 47 anos ele voltou para a sala de aula em busca de conhecimento e apoio ao filho que havia parado de estudar ainda no ensino fundamental.

“Não há dúvidas de que os pais são um modelo de vida para os filhos. E há muitas maneiras de eles incentivarem as crianças nos estudos, mesmo que sua experiência de vida tenha sido diferente”, afirma a pedagoga, Liliane do Rego Silva. Um dos caminhos pode ser voltar a estudar. Afinal, várias pesquisas mostram que quanto mais escolarizados forem os pais, mais serão os filhos. “Já ouvi casos até de avós que voltaram a estudar na terceira idade para estimular filhos e netos que já não estavam motivados a ir à escola. Creio que esse é um grande incentivo, especialmente quando se trata de jovens na fase da adolescência”, diz.

Após mais de 20 anos fora da escola, Luiz retornou à sala de aula, primeiramente, com o objetivo de terminar o segundo grau e poder ser efetivado no trabalho. “Na mesma época, meu filho adolescente tinha abandonado os estudos. Eu vim primeiro para a Educação para Jovens e Adultos (EJA), ao ver meu interesse e a minha busca por um futuro melhor, ele decidiu me acompanhar”, conta.

Gabriel Felipe de Souza, 16 anos, destaca o orgulho que sente do pai. “No passado ele não teve oportunidade de estudar e hoje, mesmo com a corrida rotina de trabalho, ele está à frente de mim nos estudos”. O adolescente que havia desistido da educação por conta de más influências de colegas, atualmente é companheiro de Luiz no caminho para a escola e nas atividades da grade curricular.

“É maravilho ensinar e aprender com meu filho, todo o esforço passou a ter mais valor depois que ele se dedicou a vir para a escola”, fala Luiz. O pai de família relata que de início a trajetória foi difícil. Por muitas vezes não acompanhou o ritmo das aulas, mas nenhum obstáculo o fez desistir, pois aos poucos ele foi constatando melhoras em sua vida. À exemplo da comunicação com outras pessoas, o desenvolvimento da argumentação e o poder de decisão.

“Depois que voltei a estudar minha memória e meu raciocínio se tornaram mais ativos. Incentivo a todos a seguirem a minha iniciativa, superarem seus medos e, assim, adquirirem o conhecimento. Algo que ninguém, nunca, vai tirar de você!”, enfatiza.

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