Mais do que pessoas, cidadãos

Foto AbreA oficina “Identidade. Quem eu sou?” foi realizada com os atendidos da Legião da Boa Vontade (LBV) Maringá e teve por objetivo possibilitar a construção da formação cidadã da criança, a partir das relações sociais e culturais. “Os pequenos têm seu jeito próprio de compreender o mundo e é partindo de observações e estabelecendo relações com a realidade e com o meio que eles aprendem ,e assim, seguem na construção de sua personalidade”, destaca a responsável pela oficina, a educadora Andréa Siqueira Gonçalves.

O trabalho desenvolvido integrou as crianças e oportunizou a apropriação da escrita e valorização do nome próprio, bem como o resgate da cidadania, através do fortalecimento da cultura e do restabelecimento da autoestima.

Em um primeiro momento meninas e meninos atendidos pela LBV foram fotografados e com suas fotos em mãos puderam ver seus retratos e se reconhecerem em cada traço. “Nunca tinha prestado muita atenção em uma foto minha, olhei cada detalhe do meu rosto e os traços que lembram alguém da minha família”, conta a pequena, Isabely Santos Braga.

Na sequência eles tiveram contato com suas certidões de nascimento. “Nessa etapa percebi que muitos não conheciam o documento e muito menos sabiam da importância dela para sua vida, e que, além de ser um registro de identificação é a primeira garantia de cidadania e direito a todos os brasileiros”, comenta Andréa. O atendido Victor Hugo Reis Moreira, completa “os pais devem registrar seu filho logo quando nasce, assim a criança tem seus direitos garantidos.”

Muitas crianças ainda não tem a carteira de identidade (RG), por isso a educadora preparou uma proposta, com uma arte que simula um RG de verdade, na qual cada atendido preencheu os dados com seu nome e de familiares, e desenhou seu rosto para ficar semelhantes às fotos. “Foi muito legal, aprendi coisas importantes como por exemplo, o que é a palavra ‘filiação’ no documento”, ressalta a atendida, Gabrielly Flores Silva.

Para estarem atentos aos seus direitos e deveres, Andréa debateu com a turma os termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). “A construção de identidade não se evidencia do que digo sobre mim. Ela está presente nas minhas atitudes, ações, escolhas e no meu comportamento em geral. Os atendidos aprenderam muito com essa dinâmica”, comemora a educadora.

A proposta foi finalizada com uma exposição, nos corredores da instituição, das várias etapas desenvolvidas. Assim, todas as crianças e adolescentes que fazem parte da LBV tiveram conhecimento de um assunto que é de interesse em comum e prestigiaram o trabalho dos colegas.

“Após essa atividade foi despertado nos atendidos a vontade em conhecer melhor os documentos, como a carteira de identidade e a certidão de nascimento, e proporcionou uma reflexão sobre como cada um se vê. Eles perceberam que são seres únicos, especiais e diferentes. Assim, compreenderam que têm uma personalidade, um nome próprio e uma história de vida. Entendendo que a construção do seu ‘eu’ se dá de forma gradativa e através das interações sociais”, conclui a assessora de comunicação da LBV, Vilma da Silva Araújo.

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