A ilusão do anonimato nas redes sociais

Dicas para não queimar sua imagem: É preciso ter cautela e bom senso ao publicar

Pesquisas mostram que o Brasil é um dos países em que o aumento de vendas de aparelhos celulares vem crescendo significativamente, em ritmo cada vez mais acelerado. Os smartphones tornaram-se objeto de desejo em todas as classes sociais e em todas as idades também.

Consequentemente houve o aumento diário de acessos às redes sociais. O tempo que as pessoas passam navegando, principalmente no Facebook, Instagram e Twitter, é cada vez maior, em média 5 horas por dia.

Nesse contexto, surge o problema do anonimato. Muitos acham que podem falar o que querem ou pensam, instigando, muitas vezes, o ódio, a agressividade, o preconceito etc. É importante saber que, de acordo com um estudo do site CareerBuilder, site americano de recrutamento, “51% dos 2.138 empregadores entrevistados desistem de contratar um candidato após verificar suas postagens”, pois encontram informações que os levam a não contratação.

A liberdade de expressão tem limites estreitos e ao ultrapassar esses limites as consequências poderão ser muito ruins

A jornalista Luciana Lima (exame.com) dá 16 dicas para que você preserve e melhore sua imagem virtual: 1) use ferramentas de privacidade; 2) pense antes de publicar; 3) reclame na medida; 4) diminua a ostentação; 5) pegue leve nas críticas às empresas; 6) lembre-se que a zoeira tem limites; 7) analise as redes; 8) publique com moderação; 9) seja coerente; 10) saiba que o anonimato é lenda; 11) controle as emoções; 12) evite falar sobre sua empresa; 13) cuidado com a linguagem; 14) mantenha a discrição; 15) leia a política de privacidade e 16) saia da bolha, “é importante dar valor a informações que não fazem parte do dia a dia”. Tem internauta que fala apenas sobre o assunto que gosta, por exemplo, só fala de futebol, ou só de política, ou só de economia…

Consequências no campo jurídico

É necessário ter-se muito cuidado ao postar, compartilhar ou curtir algo nas redes sociais. Elas podem incorrer nos crimes contra honra que são a Calúnia, Injúria e difamação, por atingirem a personalidade de uma pessoa, ou seja, sua honra, imagem e dignidade.

A calúnia – art. 138 Código penal – Imputar fato definido como crime a uma pessoa, como por exemplo, dizer que alguém cometeu algum fato criminoso, roubar, matar, no entanto se o crime for comprovado não existirá condenação.

 

A difamação está prevista no art. 139 Código Penal – Imputar um fato ofensivo à reputação do ofendido, como por exemplo, dizer que o colega de trabalho ingere bebidas alcóolicas no intervalo do almoço, independente de ser fato verdadeiro ou não, ao mencionar tal fato, este já incorre no crime de difamação.

A injúria está prevista no art. 140 do Código Penal – Imputar um fato ofensivo que afronta a dignidade da pessoa. São xingamentos, taxar características na pessoa afrontando a dignidade dela, sua autoestima, como por exemplo, dizer que é feio(a), burro(a), incapaz. Se essa ofensa for direcionada a raça, cor, etnia e religião da pessoa, o crime se torna mais grave.

A advogada Verginy Gregory lembra que “os Tribunais Superiores estão firmando entendimento acerca da responsabilidade jurídica pelo compartilhamento de ofensas na internet. Os resultados estão sendo bem contundentes contra os divulgadores, pois muitos são responsabilizados ao pagamento de danos morais, que seria uma reparação pelo ato, recepcionados no âmbito do Direito Civil”.

Segundo ela, é importante ressaltar que esses crimes atingem também a pessoa jurídica, ou seja, cuidado ao mencionarem empresas em seus comentários.

“Temos casos de funcionários que curtiram post em redes sociais de críticas à empresa que trabalhavam e foram demitidos por justa causa. Nem tudo que pensamos podemos divulgar, lembre-se que a internet não se resume a uma tela de computador ou celular, por isso o consenso, seria utilizá-la para propagar informações úteis a sociedade, como um instrumento de pesquisa, diversão saudável, fé, conquista e não de violência e agressão”, enfatiza.

A liberdade de expressão tem limites estreitos e ao ultrapassar esses limites as consequências poderão ser muito ruins, culminando ao agressor(a) multas, pena de detenção e indenizações por danos morais.

Na dúvida, não publique!

Por

Ricardo Pastoreli

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