Fernanda Amorim



O Programa voltou!

Professores, alunos e caros leitores, o Diário na Escola está de volta! Depois de um breve recesso, estamos iniciando nossas atividades com muita coisa nova para 2016. Além do envio dos jornais semanalmente às escolas, continuamos com as colunas publicadas às terças e quartas-feiras com matérias sobre educação e cultura, nossos tradicionais Concursos que agitam as instituições de ensino, e o cronograma de formações que preparamos aos professores participantes do Programa promete inovar a forma de estudo com temas atuais e dinâmicos.

Foto Abre“A proposta pedagógica do Diário na Escola busca estar alinhada à necessidade do professor e do aluno. Mantemos um feedback constante com nosso público, o que nos permite desenvolver um Programa que contemple, não somente a leitura crítica da mídia, mas também que contribua e otimize a aplicação desse conhecimento em seu planejamento de atividades anuais”, destaca a coordenadora do Diário na Escola, Loiva Lopes.

A jornalista, Talita Moretto irá abrir nosso cronograma anual de formações e afirma que a tecnologia já faz parte da nossa rotina, seja pessoal ou profissional. “Mais do que saber usar o computador em sala de aula, o professor precisa estar capacitado para auxiliar e orientar os alunos. O desafio é usar os novos recursos tecnológicos a favor do ensino. Lutar contra a presença deles não é mais visto como uma opção.”

“Na oficina ‘A poesia nos fatos’, propõe-se abordar a constituição do gênero poema, focando, suas condições de produção, suas formas composicionais e recursos linguístico-expressivos de sua composição. Na relação entre as notícias e os poemas, pretende-se destacar como os fatos apresentados pelas notícias e reportagens podem ser retratados de forma poética. Essa abordagem foi pensada, a partir de depoimentos de professores que trabalharam com a produção de poemas com seus alunos no ano passado, mas sentiram uma dificuldade em transformar os fatos do jornal em questões poéticas. O que resultou em textos que apresentam a estrutura do poema, mas que carecem de poesia”, enfatiza a ministrante da capacitação, Adélli Bazza.

Gráficos, tabelas, porcentagem e outros suportes do raciocínio lógico encontrados no impresso auxiliam no estudo da matemática, por isso o Diário na Escola convidou a professora Luciana Lacanallo para ministrar a oficina sobre o tema. “A matemática é uma linguagem, composta por diferentes signos e conceitos, os quais constituem em instrumentos simbólicos. Aprender matemática não é só resolver contas, decorar fórmulas e procedimentos é ler e interpretar dados, fatos e, com o jornal temos um recurso excelente em mãos.”, explica.

Acreditando que a mídia é uma aliada do ensino, a equipe do Programa preparou uma capacitação sobre as possibilidades de trabalho com esse recurso em sala de aula. O assunto será explanado pela jornalista e educadora, Fernanda Amorim. “Vou falar a respeito dos modos como as mensagens veiculadas pelas mídias interpelam os sujeitos, servindo de referência para a construção de suas identidades e modos de ver e estar no mundo”, diz.

Loiva percebeu que não poderia deixar para um segundo plano a leitura crítica da mídia, pois os alunos estão em pleno processo de formação intelectual, e a cada dia mais vulneráveis aos meios de comunicação. “Por isso, trouxemos esses assuntos para serem debatidos. É importante estar aberto a entender esse processo social em curso e irreversível, já que desejamos construir uma nova escola e uma nova educação. Somos otimistas, temos sempre a melhor expectativa que nossas formações irão contribuir de forma efetiva para o trabalho do professor em sala de aula.”

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A mídia como instrumento formador

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Escola e mídia. Duas instituições que estão cada vez mais próximas e, ao mesmo tempo, distantes. Embora não faltem teorias, estudos e cursos que defendam o trabalho conjunto entre elas, a conexão não é das melhores. Muitas escolas têm dificuldades de lidar com os meios de comunicação cada vez mais presentes, influentes e ao alcance de crianças desde a Educação Infantil. Para falar sobre esse assunto, convidados a jornalista e educadora, Fernanda Amorim.

 

  1. O DIÁRIO NA ESCOLA: De que forma o professor pode trabalhar as mídias realizando atividades e propostas pedagógicas que fujam do senso comum?

FERNANDA: Para trabalhar a mídia em sala de aula é preciso, antes de tudo, conhecê-la, investigar seu surgimento e delinear sua posição ideológica, entendendo o que ela defende, evidencia, colore. A mensagem midiática não é mero entretenimento, é, sobretudo, recorte da realidade que diz muito sobre seus produtores.

 

  1. Qual a importância dos professores estarem em contato com uma leitura mais crítica?

A educação não é papel exclusivo da escola, as redes sociais, as telenovelas, os programas policiais propõem formas de pensar e agir que são, aos poucos, internalizados pelos professores e alunos. Ler criticamente a mídia é compreender quais dinâmicas ideológicas estão em ação para fazermos, enquanto docentes, enfrentamentos aos preconceitos e estigmas que marginalizam alguns grupos culturais e supervalorizam outros.

 

  1. Após a sua pesquisa de mestrado, quais as maiores dificuldades que os professores têm encontrado para trabalhar o impresso? De que forma isso pode ser melhorado?

Percebi que as professoras se sentem inseguras ao trabalhar o jornal na sala de aula. Isso ocorre porque não têm a chance de analisar/estudar as notícias com antecedência, uma vez que usam o jornal do dia. O indicado é que elas tivessem tempo para estudar as notícias, as editorias, os artigos e as fotografias para, depois, levá-las aos alunos.

 

  1. O acesso à comunicação e a influência das mídias, estão ‘bombardeando’ os alunos diariamente. Como o professor poderá trabalhar com essa criança ou adolescente que já vem cheio de informações para a sala de aula?

Na verdade, não tem como o professor ignorar esse cenário, pois, ele, inclusive, pertence a esse contexto. O professor também vai à sala de aula repleto de informação e estímulo midiático. É preciso pensar que a escola não é uma ilha, ela pertence à sociedade, do mesmo modo que os professores e alunos dividem os mesmos contextos, não são estranhos um para o outro. Se o professor, a direção, a coordenação pedagógica, o currículo escolar não levam a mídia à sala de aula, o aluno leva, por meio de exemplos verbalizados durante a aula, conversas paralelas, estampas de caderno…O que o professor pode fazer é falar a mesma língua do aluno.

 

  1. No descritivo da oficina que irá ministrar no ano que vem aos professores do Diário na Escola você cita “problematizar as mensagens midiáticas”. O que será abordado?

Na oficina, discutirei os modos como as mensagens veiculadas pelas mídias interpelam os sujeitos, servindo de referência para a construção de suas identidades e modos de ver e estar no mundo.

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