hábito



Histórias trabalham o imaginário

Um período para o encantamento, o aprendizado e o desenvolvimento da imaginação. Assim foi a última semana para os alunos do 1º ao 5º ano do Colégio Objetivo, que tem investido na arte de contar histórias como auxílio ao desenvolvimento integral das crianças.

Foto AbrePara realizar a atividade, esteve na escola a contadora de história Ákila Moreira, de São José do Rio Preto (SP). Ákila explica em entrevista o significado desse tipo de atividade e diz o quanto é importante resgatar o costume de contar histórias tanto em casa quanto nas escolas. Ela é pedagoga, pós-graduada em Didática, contadora de histórias, bonequeira e tem atuado desde 1996 na área de ensino através da arte de maneira lúdica e criativa. Confira o que ela diz sobre a “arte de contar histórias”.

Qual a importância das histórias na vida das crianças?

O ato de contar história contribui para o desenvolvimento da afetividade e a formação sociocultural da criança como um todo. Ela desenvolve o pensamento, a criatividade, a emoção e melhora a comunicação, entre outros benefícios. Mas infelizmente, o costume de contar histórias está se perdendo entre as famílias e nas escolas.

Como os pais podem agir para manter esse hábito?

Os pais levam uma vida muito corrida hoje em dia e abdicam do tempo com os filhos. Mas estou falando de dez minutos uma vez por semana, pelo menos. O pai que separa um tempo para conversar com o filho, contar histórias, viver esse momento de afetividade verdadeiro, alcança o coração dele. O melhor presente que eu posso dar para meu filho é o meu tempo, e ao contar uma história eu vou marcar a vida dele para sempre.

É preciso ter aparatos para ilustrar a história enquanto você está contando, ou basta, por exemplo, a leitura de um livro?

Não precisa ter nada, mas é preciso envolver a criança para que ela viva aquela fantasia. As situações também podem ser criadas. O cesto do lixo da minha casa, por exemplo, pode virar o chapéu do pirata, o abajur o farol, o meu lençol pode se tornar uma cabana, o meu tapete um navio. É olhar os objetos à volta da criança para criar um mundo de fantasia.

Como o ato de contar histórias contribui com a formação das crianças na escola?

Infelizmente, nossas crianças estão perdendo toda ludicidade, rodeadas por tantos outros estímulos que recebem hoje em dia, principalmente da tecnologia. Mas o “fazer de conta” é muito importante.  Quando se diz “era uma vez….”, você desperta na criança a fantasia, que traz à tona o processo da criatividade. Eu diria então que contar histórias na escola é fundamental.

As histórias ajudam também na formação de futuros leitores?

Com certeza. Outro aspecto que pais e professores devem observar é não ver a criança apenas como ouvinte, mas também como contadora de histórias. Hoje o maior índice de reprovação nos vestibulares é pela deficiência na redação. Os jovens estão com dificuldade de concluir pensamento, interpretar texto, escrever. Ouvir e contar histórias ajuda nesse desenvolvimento. Estamos precisando disso.

Comente aqui


Leitura: criar o hábito e desenvolver a prática

Os municípios de Flórida, Ourizona e a Escola Sabidinho Supremus, de Nova Esperança, já participaram da oficina pedagógica ministrada pela jornalista e coordenadora do Diário na Escola, Loiva Lopes.

A oficina será realizada em todos as instituições parceiras. A temática sobre o hábito da leitura foi baseada numa pesquisa realizada em 2011, pelo Instituto Pró-Livro (IPL), na qual foram revelados dados alarmantes: 78% dos pesquisados dizem simplesmente não ter o interesse de ler, 15% admitem ter dificuldade na leitura e 4% reclamaram da falta de acesso às obras.

Mas por que o brasileiro lê tão pouco? De acordo com o setor de educação e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU), só há leitura onde ler é uma tradição nacional, o hábito de ler tem que vir de casa, e assim, vão se formando novos leitores. Constata-se ainda que o problema é antigo, que muitos brasileiros foram do analfabetismo à TV sem passar pela biblioteca.

O Instituto Pró-Livro destaca ainda que os professores costumam indicar livros clássicos do século XIX que não são considerados adequados a um jovem de 15 anos. Com isso, este adolescente conhece obras que não desperta o interesse na leitura, e não busca mais os livros depois que sai do colégio.

A pesquisa também aponta que nossos países vizinhos são mais letrados. No Brasil, por exemplo, a taxa de analfabetismo é de 15%, o preço médio do livro é 40 reais e o brasileiro lê em média apenas uma obra por ano. Enquanto no Uruguai o analfabetismo é de 2%, o livro custa em torno de 25 reais e os uruguaios lêem seis livros por ano. Argentinos e chilenos costumam ler cinco livros ao ano, as taxas de analfabetos ficam em torno de 3,5% da população, e os livros custam aproximadamente 28 reais.

Durante a oficina Loiva aponta que todos estes dados são consequência de um tripé histórico-cultural formado pela família, escola e poder público. São estes três setores os responsáveis pelo estimulo à leitura, ato que torna o ser humano criativo e com poder de argumentação, sem contar na melhora do vocabulário e no acréscimo de novos conhecimentos.

“Esse ano vamos priorizar o trabalho com os professores, queremos prestar a assistência pedagógica necessária para que os resultados sejam positivos para todos. De acordo com a pesquisa do IPL, a região Sul é a que apresenta um dos menores níveis de leitores em todo o Brasil, e isso precisa ser mudado”, alerta a coordenadora do Diário na Escola.

Para gostar de ler

Loiva destaca durante a oficina alguma dicas importantes para criarmos o hábito e depois conseguirmos desenvolver a leitura diariamente.

O primeiro ponto apresentado é você escolher uma leitura de real interesse. Se começou a ler e não gostou da obra, troque. Para iniciar o hábito vale tudo, desde bula de remédio até livros de receitas, o importante é se sentir atraído pelo assunto. Descubra como e onde você gosta de ler, pode ser no sofá da sala, na mesa da cozinha, ou quem sabe, no banheiro. Estabeleça desafios de tempo, comece com 10 minutos por dia e no final de um mês você poderá ter lido um livro de 300 páginas. Envolva a família nessa atividade. Vocês não costumam se reunir em frente à TV para assistir à novela? Escolha um melhor horário do dia e se reúnam para fazer a leitura, depois vocês ainda podem discutir sobre o que cada um está lendo. E para estar sempre motivado, visite mais livrarias, bibliotecas e sebos, é uma boa forma de se interar nesse mundo e ainda estar por dentro das novidades, obras mais lidas e de preços baixos ou promoções.

Comente aqui