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03/05/2016 - 16h15 - visualizações

Presentes, favo e dia das mães

Autor viva-sabor

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Dia desses minha mãe foi almoçar na casa do meu tio em Campo Mourão e voltou de lá com alguns presentes que ele havia me mandado. Um deles era um favo de mel enorme e perfumado. Nem me lembro quando foi a última vez que tinha visto mel assim, tão dourado, lindo e armazenado nessas casinhas tão perfeitas. Rolou uma nostalgia.

Eu tenho paixão por presentes que são muito mais que um objeto. Fico encantada com a preocupação de quem ofereceu o mimo, com o carinho de quem assou um bolo, separou umas frutas, cozinhou uma geleia ou plantou um vasinho de ervas. Penso que gestos como estes são tão valiosos quanto aquele anel caro que você mostrou pro marido - como quem não quer nada - na vitrine da joalheria.

Aliás, tenho repensado muito meus hábitos de consumo, e conforme o tempo passa vou me livrando de coisas que eu nem consigo mais saber porque tinha. A casa vai se tornando um depósito de trecos que "devemos" comprar, "precisamos" ter, e no fim o que é essencial vai ficando sufocado e esquecido em meio a tanto treco. E quanto mais tento me livrar do excesso, mais apreço tenho pelas coisas simples.

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Aí chegamos perto do dia das mães, e eu fico pensando em tudo o que gostaria de dar para a minha. Quase um mundo. E nem estou falando dos desejos de saúde, alegria e amor. Tô falando só de coisas mesmo, e minha mãe merece uma sacolada delas: bolsas, sapatos, um carro novo, uma viagem. Um infinito de presentes que fariam ela abrir um sorriso.

Então começo a pensar que eu já ganhei dela todas essas coisas que citei aí em cima. E muito mais. E vasculhando minha cabeça em busca de lembranças, tentando recordar a minha reação diante desse mundo de objetos que já tive, eu me vejo lá atrás, super feliz e eufórica, com as flores que ela me mandou na escola junto com um bilhete assinado "anônimo", e por alguns minutos esse me parece ser o presente mais significativo dos últimos 32 anos.

Me vejo segurando aquele buquê estonteante e sequer reparo nas flores. É o bilhete que importa. Aquela assinatura. Minha mãe fez isso! Eu passei o colégio inteiro desejando receber flores de algum admirador, mas só recebi mesmo um monte de apelidos horrorosos que escancaravam a quantidade de espinhas que eu carregava no rosto. Mas olha só que legal, eu tenho a melhor das mães. E ela me mandou flores, e junto com elas o recado mais importante e do qual só me dou conta agora: valor não é igual a preço.

Aquele bilhete mudou o meu dia. Assim como o favo de mel. E as geleias. E os hibiscos. E o corte de cabelo. E o vestido com defeito. E os desenhos. E tantos outros presentes que acumulei com prazer, porque estes não ocupam espaço na minha casa, mas preenchem minha vida de um jeito único e especial.

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