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23/12/2012 - 15h53 - visualizações

Futebol Morto

Autor Fábio Castaldelli

Por Fábio Castaldelli


Acendem-se as luzes dos presépios; apagam-se as dos estádios de todo o Brasil. Este é o futebol do fim de dezembro. Depois do término do campeonato nacional, de definido o campeão da Copa Sul-Americana e do Mundial de Clubes da Fifa, de conhecer quem é o dono da bola, o universo futebolístico, como se fosse um time de perebas, é rebaixado a um curto porém profundo ostracismo.


Nem mesmo migalhas como os chatos e já manjados jogos beneficentes organizados pelos amigos de “A” contra amigos de “B”, que reúnem alguns bons competidores e uma série de pernas de pau, aparecem na programação da TV para aliviar a abstinência que a ausência de futebol causa em muitos.


No lugar de certames épicos e repletos de rivalidade, o que pauta a mídia esportiva especializada são retrospectivas de gols, passes, cobranças de falta e histórias sobre a infância pobre ou a intimidade de jogadores.


As especulações sobre possíveis reforços são um capítulo à parte. Nomes e sobrenomes são ventilados, torcidas inocentes dormem sonhando com o possível retorno de ídolos e acordam com a chegada de atletas que mais parecem brinquedos de Natal: caros, supervalorizados, mas que, assim que exigidos pra valer, quebram sem qualquer chance de conserto.


É também nesta parte do calendário que a mesa do bar perde sua magia mais sedutora. O garçom, outrora animado e cheio de piadinhas clubísticas, não consegue esconder a tristeza e falta de assunto. Com as embaçadas lentes do álcool já não faz mais sentido aos botequeiros comemorar o campeonato conquistado. Tampouco destruir a reputação do amigo palmeirense, cujo time caiu de divisão, é algo que traz felicidade.


Já o momento do rebaixado é outro. É hora de mostrar que é torcedor de verdade, pedir a cabeça de dirigentes, propagandear na parede do quarto e no Facebook que 2013 será diferente. É preciso acreditar que 90 minutos de partidas melhores virão.


Talvez, um dia, o calendário do futebol brasileiro se equipare ao do resto do mundo e nossos fins de ano sejam mais animados, com bola (de verdade) na rede. Mas esta é uma realidade distante, distante... pois assim é o futebol no fim de dezembro: enquanto o nascimento do Menino Jesus é celebrado, o futebol míngua em sua importância e, no leito de um quase esquecimento, mais parece um doente que respira por aparelhos à espera de um milagre chamado Campeonato Estadual.


 Crônica publicada no Caderno D+ do Jornal O Diário do Norte do Paraná deste domingo (23).

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