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17/09/2015 - 20h37 - visualizações

Cirurgia plástica pode viciar

Autor Clóvis Augusto

O sedutor mercado da beleza atrai, a cada dia, mais pessoas com a promessa de soluções  ao alcance de um bisturi. É sempre válido corrigir ou melhorar algum aspecto físico que está afetando a autoestima. No entanto, quem deseja se submeter a uma cirurgia plástica, seja ela reconstrutiva ou estética, precisa estar ciente de que nem sempre o resultado final é o desejado. O cirurgião plástico Marcos Manzotti  concedeu entrevista e falou sobre  os assuntos polêmicos que envolvem a cirurgia plástica.

 - Existe um limite para esta ditadura da beleza?

Sim existe.  A cirurgia plástica traz o benefício estético e, desde que seja bem indicada, traz um resultado estético prazeroso para o paciente, aumentando a  auto estima. Com isso o paciente acaba procurando  outros lugares do corpo em que ele vai querer ajustar. Então a pessoa pode acabar se viciando, e há pessoas que não tem muito controle psicológico e acabam exagerando, fazendo procedimentos em cima de procedimentos. Exemplo disto é o que aconteceu  no caso da ex modelo Andressa Urach . Ela utilizou um preenchimento de longa duração, e também pode ter sido utilizado o PMMA que é um preenchimento permanente.  Eu vejo o  exemplo dela como um caso bem alternativo. Não é a nossa realidade do dia a dia de cirurgia plástica, porque existem alternativas muito melhores do que esses preenchimentos para se fazer no corpo, como por exemplo uma lipo escultura, que é o que a gente faz praticamente todo dia.  O paciente usa a gordura do próprio corpo, que não tem risco de rejeição, para remodelar o corpo. Só que o que aconteceu no caso da Andressa, é uma complicação que dizem que foi tardia, cinco anos depois que ela preencheu. Pode ter sido tardia, mas foi uma complicação grave que se chama Fasceíte necrotizante, uma bactéria que come por dentro da pele,  e causa aquelas necroses importantes.  Eu vejo todo esse exemplo como um caso em que o paciente procurou economizar. Economizou porque não fez nada no centro cirúrgico, foi em uma clínica de estética, não sei se foi cirurgião plástico que aplicou,  e além do mais a dosagem do produto foi inadequada. Então existe um limite sim. E o limite também se resume em  o paciente procurar um bom profissional  que irá indicar quais são as possibilidades de tratamento para aquele “defeitinho” que a pessoa acha que tem e qual o resultado melhor, na prática como aquilo vai ser melhorado.

- O preço da cirurgia plástica pode interferir na escolha por procedimentos ilegais que saem mais baratos?

Exatamente. O barato pode sair caro. Ao fazer em uma clínica sem hospital e guarnição, você está sendo submetida a um procedimento com maior risco de complicação, infecção. Podem acontecer também problemas alérgicos, o paciente talvez venha a precisar de uma UTI. E se você está em uma clínica,  não tem nenhum tipo de suporte, o que pode levar a um risco de morte para a pessoa. Por isso o barato pode sair caro sim, e no caso da Andressa saiu bem caro. Existem alternativas muito melhores, lógico que são mais caras porque envolve a terceirização, você acaba contratando não só o cirurgião plástico como também o serviço hospitalar, o serviço de anestesista, tudo dentro de um complexo hospitalar que oferece  recursos para minimizar os riscos de uma cirurgia. Então,  muito cuidado na hora de escolher o serviço a ser prestado. “Ah, eu tenho um defeitinho, o que devo fazer?”. O defeito é estético? Então procure um cirurgião plástico.  Não procure qualquer profissional fora da área da cirurgia plástica. Procure ver se o profissional que você escolheu é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica porque isso é muito importante.

- Existe uma idade certa para fazer a cirurgia?

Sim.  Existem vários tipos de cirurgias plásticas, tanto estéticas quanto reparadoras.  Para cada procedimento há  uma idade mínima. Para “orelha de abano” são sete anos,  prótese de mama no mínimo dezessete ou dezoito anos pois a paciente precisa já ter a mama formada.  Rinoplastia também entra nesta idade pois o nariz já está formado.  Preenchimentos minimamente invasivos como os enchimentos, botox  tem que ter uma idade mínima também, porque o próprio fabricante não recomenda que a gente use em idades muito inferiores ou avançadas  porque o produto nem foi testado, pois o estudo científico não envolveu pessoas mais jovens e nem muito idosas.

- Menores de idade precisam de autorização dos pais ou responsáveis?

O pai tem que estar sempre junto na consulta e com o cirurgião plástico e sempre a manifestação do desejo tem que partir  do próprio paciente e não o pai colocar na cabeça da criança e falar assim “ você deve fazer essa cirurgia de orelha de abano, porque você vai ser prejudicado na escola”. A própria criança tem que falar para o pai se está passando  vergonha por causa do tamanho da orelha.  A vontade tem que partir da criança e não pode ser alguma coisa que só venha dos pais.

- É comum o senhor atender pessoas mais jovens, adolescentes querendo mudar o corpo muito cedo?

Sim, a cirurgia plástica tem uma abordagem bem ampla de idade. Então existem pacientes jovens que procuram fazer cirurgias estéticas e a mais procurada é a orelha de abano. Há casos de procedimentos em pessoas idosas também , como as cirurgias de face e nariz. Então a amplitude de idade é muito grande.

- Quais são os principais riscos?

O risco ele é inerente ao paciente e ao procedimento. O risco cirúrgico, quando ele é ligado ao paciente, envolve hábitos de vida da pessoa (idade, se o paciente fuma, ingere bebida alcoólica, usa drogas, faz atividade física). O que se leva em consideração também são os problemas de saúde do próprio paciente - se ele tem diabetes, pressão alta, hipotireoidismo e assim vai. É examinado também se há riscos cardiológicos , pois todos os pacientes são obrigatoriamente avaliados em cardiologistas. Então os riscos existem e cabe ao cirurgião avaliar o risco e determinar se compensa ou não fazer a cirurgia.  Não só de acordo com o paciente, o risco também varia conforme a cirurgia.
Desde que você faça todo o protocolo de prevenção de infecção,   e os procedimentos devidos para evitar que o paciente tenha qualquer tipo de complicação, o risco acaba sendo baixo em todas as pessoas, desde que seja feito todas as intervenções necessárias para prevenir. O paciente que fuma tem que parar de fumar para fazer cirurgias plásticas? Sim.  Quem tem pressão alta e não controla? Só controlando ele vai conseguir fazer a cirurgia. Diabetes a mesma coisa.

- Como é a manutenção pós-cirurgia? O paciente tem que fazer muita atividade física depois?

É só a gente perguntar: de  onde vem aquela gordurinha extra que está sobrando? Veio de um erro alimentar. Veio porque está comendo mais do que está gastando e isso acumula gordura.  É assim que funciona.  Se o paciente está acostumado a comer errado e faz uma cirurgia plástica e continua comendo errado , achando que aquela cirurgia vai estacionar o corpo naquela forma para o resto da vida, ela está pensado de uma forma muito enganada.  A pessoa tem que ter consciência de que foi o hábito de vida que levou ao acúmulo de gordura em forma não estética no corpo. Isso pode ser ajustado na lipoaspiração. Tudo isso ocasiona uma melhora da auto estima na pessoa e, para ajudar a manter, o paciente tem que correr atrás, ir na academia, fazer atividade física.  Com a melhora da auto estima, essas pessoas procuram ficar mais saudáveis . A cirurgia envolve também o aspecto psicológico  que mexe com a autoestima do paciente.  Você tira os excessos de gorduras que muitas vezes a academia não consegue resolver. Dois anos na academia e continua com pneuzinho, e a cirurgia vai ajeitar, dá uma arredondada no bumbum, então o paciente fica com o corpo melhor. Depois de fazer a cirurgia o que acontece, o paciente vai pra academia com um corpo completamente remodelado. Para ele fica mais fácil depois que faz a lipoaspiração manter do que antes de chegar naquele corpo.

Nádia Viviane é acadêmica do 4º ano de Jornalismo do UniCesumar.

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