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25/09/2012 - 14h06 - visualizações

Ursinho Ted - Isso sim é censura

Autor Alan Maschio

Surpreende-me o fato de que o filme "A Inocência dos Muçulmanos", produzido por um judeu norte-americano, tenha provocado discussões sobre liberdade de expressão e censura na internet.

A produção, como todos devem bem saber a esta altura, é uma clara e declarada ofensa aos costumes do Islã - tanto que motivou protestos  - igualmente imbecis, diga-se - ao redor do mundo, matando já algumas dezenas de pessoas.

E a Justiça norte-americana negou pedido para que o vídeo fosse retirado da rede.

Muita gente defendeu tal postura, alegando que a retirada do filme seria uma decisão em favor da censura.

Como se inibir uma ofensa fosse, em algum momento, cercear o direito de alguém.

O filme foi criado com o objetivo específico de atingir os muçulmanos, depreciando-os.

Não propõe uma discussão. É um palavrão em película.

Retirá-lo do ar não é, nem de longe, censura. Muito menos bom senso, pois se a decisão tivesse como justificativa inibir protestos violentos, que os manifestantes aprendam a ser civilizados, isso sim.

A retirada de tal filme da rede seria somente uma medida educativa contra o ignorante que o criou, achando que estava a defender o judaísmo.

Por outro lado, um filme muito mais inocente está sob a mira do deputado pelo PCdoB paulista Protógenes Queiroz.

"Ted" - a história de um ursinho de pelúcia que ganha vida e envelhece junto com o dono.

O deputado, moralista (e portanto, equivocado em essência), disse ter ficado chocado com o fato de o ursinho fumar maconha, pagar pela companhia de prostitutas, simular sexo oral no supermercado.

"Fiquei chocado e indignado com esse filme. Ele passa a mensagem de que quem consome drogas, não trabalha e não estuda é feliz", diz ele, em matéria do UOL.

Pois talvez até passe essa mensagem, para quem tem a tendência de entendê-lo assim.

A mim, não passou mensagem alguma. Só dei boas risadas.

Mas acharia coerente se uma pessoa argumentasse que a mensagem do filme é que as pessoas podem amadurecer sem fazer divórcios, sem se separar do que já foi bom - desde que saibam que o que já foi bom não é mais.

Além do mais, o protagonista perde a namorada e descobre, ao final, que não passava de um moleque, até que resolve amadurecer.

Onde está a felicidade que o deputado viu?

Na sessão em que assisti ao filme, umas quatro pessoas se levantaram no meio da história.

Provavelmente esperavam uma mensagem de amor, algo meigo, carinhoso.

Enfim...

O deputado disse que vai pedir hoje a suspensão da exibição do filme no País.

Como se não tivesse algo mais importante para fazer.

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