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13/09/2014 - 10h41 - visualizações

Vocação para a infelicidade

Autor Lu Oliveira


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Ouvi a frase dia desses, vinda de um colega de trabalho: "há pessoas que têm vocação para a infelicidade". E, como constantemente acontece, fiquei inquieta. E, quando fico assim, preciso escrever.

A teoria parece até cruel. Como alguém pode ter o dom de ser infeliz? Mas é claro que, na maioria das vezes, as pessoas mal se dão conta de que estão contribuindo para a própria infelicidade.

E isso é um perigo.

É um perigo porque, de todos os medos que podemos ter, talvez o maior deles seja o de nos conformarmos com o que nos causa sofrimento. Aliás, o conformismo é nocivo à nossa história, às nossas relações. Acreditar que "é assim mesmo", que "não tem jeito". Enfim, acostumar-se com pessoas e situações que nos machucam.

Sofrer por quem foi embora por opção, por quem deixou claro que não quer mais fazer parte da cena. Aprisionar-se ao passado. Idealizar relacionamentos afetivos. Crer que o dinheiro, somente ele, trará a felicidade em um pacote de presente.

Acho que ter vocação para a infelicidade é passar a vida esperando por grandes milagres e não agradecer pelos pequenos, aqueles que nos visitam todos os dias.

Tem vocação para a infelicidade quem apenas cultiva em seu coração inveja e rancor.

Vocação para a infelicidade é não saber amar. Não saber se amar e nem amar quem está ao seu redor. É não valorizar a presença e depois lamentar a ausência.

Felicidade plena, dessas que se vendem nas propagandas, não existe. Mas é possível viver mais momentos bons que ruins.

É só abandonar a vocação para a infelicidade.

E exercitar o dom de ser feliz.

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