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18/03/2015 - 18h25 - visualizações

Chico Xavier cai na dança

Autor Wilame Prado
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"Entre Dois Muros Marchemos": no palco, tango e ballet (Foto de Marquinhos Oliveira)


Por Wilame Prado


"Há mistérios peregrinos/Nos mistérios dos destinos/Que nos mandam renascer:/Da luz do Criador nascemos,/Múltiplas vidas vivemos,/Para a mesma luz volver." Assim começa o poema "Marchemos", psicografado pelo falecido médium Francisco Cândido Xavier e atribuído ao espírito de Castro Alves. A professora e coreógrafa Nara Dutra diz ter sido tocada pela mensagem de força existencial que há em todos os versos do poema. E, então, transformou poesia em dança.


"Entre Dois Muros, Marchemos", espetáculo do Ballet Nara Dutra livremente inspirado no poema, tem a sua estreia oficial hoje, a partir das 20h30, no Teatro Reviver. Atração do Convite à Dança, a entrada é franca. Nara Dutra assina a coreografia que será executada por sete bailarinos: Anderson Assumpção, Beatriz Scabora, Bruna Vieira, Isadora Prado, Loraine Dutra, Natália Almeida e Tainara Bizoto.


O espetáculo, que usa trilha sonora de Astor Piazzolla, não é apenas um ballet, e também não é apenas um tango. "Astor Piazzolla é uma preciosidade, desde o estudo de sua metodologia para composição até a maneira singular de interpretação e desenvolvimento do trabalho. 'Entre Dois Muros, Marchemos' é um tango no ballet, e um ballet no tango. Até mesmo por ter uma influência da dança contemporânea fortíssima no trabalho, mesmo com o uso de sapatilhas de pontas, algo associado por muita gente unicamente ao ballet clássico ", explica Nara.


A concepção da dança – alicerçada na mensagem do espiritismo e da poesia psicografada – é uma clara mensagem de esperança, ainda que em meio às dificuldades da luta, da marcha habitual da vida. Os desafios da arte, ou, mais especificamente, as barreiras comuns na vida de um bailarino, são representadas pelos muros, pelas dificuldades existenciais como um todo na relação entre as pessoas e o mundo.


Para traduzir tudo isso em dança, a coreógrafa desenvolveu seis cenas, ou seis passos intrínsecos à caminhada humana. Há, nessas etapas, o peso da existência, o conflito com os pensamentos negativos, o desejo de luta, as indecisões pelos caminhos a seguir e, finalmente, o progresso, a marcha para o infinito. Afinal, diz Nara, é preciso sempre seguir, na dança e na vida.


"Se não for assim, de que adianta marchar?"


CARTAZ ENTRE DOIS MUROS, MARCHEMOS Ballet Nara Dutra Pelo Convite à Dança Quando: hoje Onde: Teatro Reviver (Avenida Cerro Azul, Zona 2) Horário: 20h30 Entrada franca


*Reportagem publicada nesta quarta-feira (18) no caderno Cultura, do jornal O Diário do Norte do Paraná


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