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22/05/2008 - 06h39 - visualizações

CORPUS CHRISTI

Autor Dom Anuar Battisti

Hoje, a comunidade celebra a vida doada no Pão e no Vinho, que se transforma em cada missa em Corpo e Sangue de Cristo. “Isto é o meu corpo isto, é o meu sangue, fazei isto em memória de mim”. Essas palavras do Mestre garantem a sua permanência entre nós sempre que, em cada altar, o ministro ordenado pronuncia essas palavras recordando aquela ceia de despedida. Despede-se, mas permanece vivo nas espécies de pão e vinho, sinais visíveis para alimentar a todos no caminho da eternidade.
Seguindo o exemplo das primeiras comunidades cristãs (At. 2,46,47), a comunidade paroquial se reúne para partir o pão da Palavra e da Eucaristia, perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade. A Eucaristia, na qual se fortalece a comunidade dos discípulos, é para a Paróquia uma escola de vida cristã. Nela, juntamente com a adoração eucarística e com a prática do sacramento da reconciliação para comungar dignamente, seus membros são preparados para dar frutos permanentes de caridade, reconciliação e justiça para a vida do mundo”(DA 175).
Por isso, comungar é um perigo, é um compromisso que vai além de uma cerimônia bonita e emocionante. Comungar significa receber, em nós, aquele que veio para dar a vida, criar fraternidade, praticar a justiça, tratar a todos com igualdade, deixar de lado os preconceitos de raça, religião, cor e posição social, que veio amar ao ponto de dar a própria vida por todos nós. Na Eucaristia, recebendo o corpo e sangue do Senhor, significa entrar em comunhão com Ele em corpo e sangue assumindo na prática diária os mesmos sentimentos, desejos e vontade Dele. Eucaristia não é um pão abençoado, um costume passado de geração em geração apenas. A Eucaristia, a Ceia do Senhor nos incomoda para poder incomodar o mundo e a realidade que nos rodeia.
“Bento XVI nos recorda que “o amor à Eucaristia leva também a apreciar cada vez mais o sacramento da Reconciliação”. Vivemos numa cultura marcada por forte relativismo e perda do sentido do pecado que nos leva a esquecer a necessidade do sacramento da Reconciliação para nos aproximarmos dignamente a fim de recebermos a Eucaristia”(DA 177). “A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo. Com este sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã: crer, celebrar e viver, o mistério de Jesus Cristo de tal modo que a existência cristã adquira verdadeira forma eucarística”(DA 251).
Para nós, cristãos católicos, a Eucaristia, a Festa do Corpo do Senhor, “Corpus Christi”, não é uma mera devoção que nos aliena da realidade e do compromisso evangélico de transformar-se e transformar a realidade onde vivemos. A procissão significa o dinamismo da vida, caminho se faz caminhando e nesta festa de hoje, caminhamos tendo na frente o Senhor Eucarístico, Pão descido do céu para a vida do mundo. Por isso comemos deste Pão e bebemos deste Cálice para que “tenhamos vida e vida em abundância”(Jo 10,10). Como povo Deus, queremos prestar nossa homenagem entregando o nosso coração, a nossa vida, mas ao mesmo tempo manifestamos externamente nossa gratidão, com os tapetes, com a música, o canto, e a adoração.. “Eu sou o pão vivo descido do céu, quem comer deste pão viverá eternamente”(.....).

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