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07/08/2013 - 10h11 - visualizações

Sepultamento de Dom Jaime

Autor Dom Anuar Battisti

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Veja como foi a missa de corpo presente e o sepultamento de Dom Jaime

http://www.youtube.com/watch?v=Z0WfESZvc80

Dom Murilo S.R. Krieger, scj – Arcebispo de São Salvador da Bahia – Primaz do Brasil

Exéquias de Dom Jaime Luiz Coelho, Arcebispo Emérito de Maringá – 06.08.13

Leituras: Festa da Transfiguração do Senhor

1.         É muito fácil falar nas exéquias de Dom Jaime Luiz Coelho. É muito difícil falar nas exéquias de Dom Jaime Luiz Coelho.

2.         É muito fácil falar: quem o conheceu - e quem, morando em Maringá ou neste norte novo do Paraná não o conheceu? -, tem ideia clara de seu valor e do que ele significou para a Arquidiocese de Maringá, para o Município de Maringá e para os Municípios desta região. Aqui, a História da Igreja e a História desses municípios se cruzam em Dom Jaime. Quem o conheceu sabe muito bem com que dedicação, entusiasmo e determinação ele enfrentava os desafios e lutava para ver concretizadas as suas ideias. Quem o conheceu sabe com que ardor ele procurou fazer de Jesus Cristo o centro de sua vida e da vida de todos. Esse ardor está muito bem sintetizado em seu lema: In omnibus Christus (Cl 3,11) - isto é, Cristo em todos, da carta do apóstolo Paulo aos Colossenses. Dom Jaime escolheu este lema em 1957, ao ser nomeado Bispo pelo Papa Pio XII. O desejo de fazer com que Cristo fosse tudo em todos pode ser apresentado, hoje, como uma síntese de sua vida e de suas lutas. Seu espírito determinado, sua capacidade de direcionar todas as suas forças nos objetivos que tinha diante de si tem uma prova concreta nesta Basílica Catedral - uma Casa de Deus e, ao mesmo tempo, um monumento artístico criativo e arrojado, nacional e internacionalmente conhecido como o símbolo de Maringá.

3.         Procurando fazer com que Cristo fosse tudo em todos, desejou ser sacerdote. Terminado o período de formação na então Diocese - hoje, Arquidiocese - de Ribeirão Preto, 72 anos atrás, foi ordenado presbítero. Poucos anos depois, isto é, 56 anos atrás, foi nomeado Bispo da nova Diocese de Maringá. Quando me entregou esta Arquidiocese, em 1997, colocou-se à minha disposição para continuar ajudando naquilo que lhe fosse possível; depois, procurou colaborar com Dom João Braz de Aviz, hoje Cardeal; finalmente, passou a trabalhar com Dom Anuar Battisti. Devemos a Dom Anuar o testemunho de uma carinhosa dedicação a Dom Jaime nestes últimos anos e, especialmente nos meses finais, marcados pela enfermidade.

4.         Comecei dizendo que é muito fácil falar de Dom Jaime. Mas, agora, reconheço: é muito difícil falar de Dom Jaime Luiz Coelho. O que dizer a mais sobre ele, pois suas principais características eram a transparência e a sinceridade? Ele era aquilo que todos viam; era aquilo que parecia ser; era o que descobríamos nele já nos primeiros contatos. É verdade que eu poderia, aqui, falar de suas obras. Mas não é suficiente dizer que ele esteve presente em todas as iniciativas tomadas em Maringá e na região nas quatro décadas em que ele foi Bispo e Arcebispo desta Arquidiocese? Quando Dom Jaime aqui chegou, tudo precisava ser feito, e ele enfrentou corajosamente os desafios que se multiplicavam à sua frente. E não me refiro, apenas, às necessidades da Diocese que dava os primeiros passos, onde tudo precisava ser feito. Penso, também, nas necessidades da sociedade maringaense e da região. Já que era preciso servir Cristo em todos, se dispôs a dar sua colaboração tanto na criação de faculdades quanto na implantação dos modernos meios de comunicação; na fundação de sindicatos e na defesa dos agricultores. Volto a dizer: tudo convergia em Dom Jaime, em tudo ele estava presente, com uma disposição renovada e uma energia inesgotável.

5.         Verdadeiramente, na história da Arquidiocese de Maringá e na história de Maringá e região, Dom Jaime ocupa um lugar único, que certamente ninguém igualará. Ele deixa uma marca especial no coração deste clero, pois formou e ordenou inúmeros dos que aqui estão, dos quais dois - Dom Vicente Costa e Dom Edmar Peron -, hoje são bispos.

6.         O profeta Daniel nos disse que no “tempo final”, quando se manifestará a verdade da história, os que tiverem sido sábios, brilharão como o firmamento, e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude, brilharão como as estrelas por toda a eternidade (Dn 12,3). Dom Jaime foi uma estrela já em vida. Com um pensamento claro e uma orientação segura, foi uma estrela para suas ovelhinhas – e teve gerações de ovelhinhas sob os seus cuidados. Dom Jaime continuará brilhando como uma estrela - uma estrela a nos apontar Deus; uma estrela a nos lembrar a importância da Igreja; uma estrela a nos ensinar que ser cristão é dedicar-se aos outros; é dar a vida pelos outros; é ver Cristo em todos.

7.         “Pelo batismo fomos sepultados com Cristo Jesus na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova”. Dom Jaime viveu intensamente o seu batismo; procurou estar sempre onde estava seu Senhor Jesus Cristo. Procurou levá-lo a todos. Ele foi uma dessas pessoas que não conseguimos imaginar sem ser o que foi: sacerdote e bispo. Dedicar-se a Jesus Cristo e à Igreja era, para ele, algo natural. Por isso, compreende-se seu amor e o entusiasmo que colocava em tudo o que fazia. Para ele, servir era ensinar a verdade da doutrina católica, e ensiná-la com clareza e firmeza.

8.         Hoje, é para nós que Jesus diz: “Teu irmão ressuscitará!... Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá!” Dom Jaime acreditou em Cristo. Essa crença era expressa por um nome: coerência. Coerentemente, dedicou sua vida para formar cristãos leigos que fossem santos, que amassem Nossa Senhora - quantos testemunhos de seu amor pela Mãe de Jesus ele nos deixou! -; procurou formar cristãos leigos que valorizassem a instituição familiar. Ele nos deixa o testemunho de amor à sua própria família que, por seu lado, acompanhou o filho, o irmão, o cunhado, o tio, o tio avô, o tio bisavô em todos os seus passos.

9.         “E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais”. O que pedimos ao Pai, por Cristo, nesta celebração eucarística, é que o Pai dê a nosso irmão bispo Dom Jaime o dom da eternidade junto à Santíssima Trindade. E que o exemplo deste incansável batalhador - cristão, sacerdote e bispo - esteja sempre vivo diante de nós, brilhando nos horizontes de nossos trabalhos como uma estrela a nos iluminar e a nos lembrar Deus. Junto do Pai eterno, que Dom Jaime o glorifique, por Cristo, com Cristo e em Cristo, para que o próprio Cristo seja cada vez mais, e em toda a parte, tudo em todos.

10.       Obrigado, Dom Jaime! Depois de uma vida de inúmeras lutas, descanse em paz. Amém.

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