Logo do Jornal ODiário.com
Sem Categoria-81
12/04/2013 - 10h32 - visualizações

Analfabetismo Virtual

Autor Nayara Spessato

O “internetês” é a linguagem utilizada nas salas de bate-papo como messenger, facebook, blogs e outros. Como foi se tornando uma prática na vida de todos, as pessoas que utilizam esses serviços passaram a abreviar as palavras de forma que essas tornaram-se uma configuração quase que padronizada.

É uma prática comum entre os adolescentes que, acostumados com a rapidez do mundo dos instantâneos e dos descartáveis, utilizam as abreviações como meio de agilizar e dinamizar as conversas. Como se não bastasse, criaram os bichinhos e palavras que piscam o tempo todo, chamados gifs, para os bate-papos ficarem ainda mais atrativos.

Jéssica Caroline Miato, de 18 anos, conta que começou a escrever de forma abreviada no início pela praticidade, hoje o hábito ocorre pelo fato de todas as pessoas com que conversa na internet, também escreverem desta forma. “Minha mãe reclama bastante, principalmente por não conseguir entender o que eu escrevo”.

Já a estudante Eduarda Yabushita da Silva, de 16 anos, confessa que as abreviações na escrita virtual são por conta da preguiça em escrever as palavras da forma completa. “Quando estou escrevendo as falas para os meus amigos pelo chat, geralmente faço outra coisa ao mesmo tempo, então preciso de agilidade”.

Para a linguagem escrita, essa não é uma prática vantajosa. Além dos jovens terem pouco contato com o mundo dos livros, justamente por estarem mais ligados às novidades virtuais, vão perdendo as formas padrões da ortografia, que podem ficar comprometidas pela falta de contato com a grafia correta.

A necessidade de interagir utilizando o teclado do computador fez com que, rapidamente, o “internetês” se difundisse àqueles que tem acesso à internet. O grande problema que existe é o uso dessa linguagem em locais onde ela não é apropriada, como é o caso da escola.

“Nas minhas produções textuais em sala de aula não costumo cometer erros de ortografia, consigo separar os momentos em que digito e os momentos em que escrevo da forma manual, mas nos trabalhos digitados as abreviações, infelizmente, acabam escapando”, relata Jéssica.

Algumas palavras foram abreviadas de forma incorreta, comprometendo a ortografia, tais como: vc – você, blz – beleza, naum – não, cmg – comigo, neh – não é ou né, kd – cadê, etc.

Dessa forma diferente de escrever, costumamos nos deparar com textos totalmente errados, que chocam as pessoas que preservam a forma padrão da escrita. A frase a seguir, encontrada na internet, é um exemplo disso: “naum eskreva feitu retardadu na net pq tem jenti lendu o q vc escrevi”.

Essa forma de escrita não facilita em nada, pois torna-se muito mais difícil para quem já possui conhecimentos ortográficos.

É bom lembrar que também não têm nada a ver com os acrônimos - siglas de palavras que foram universalmente estabelecidas - úteis nas telecomunicações, uma vez que permitem condensar várias palavras em poucas letras, como nos telegramas. Foram criados para serem utilizados mundialmente, de forma que não comprometessem a ortografia das línguas, o que não acontece com as abreviaturas do “internetês”.

As escolas devem trabalhar muito esse aspecto, pois não se pode permitir que a escrita correta das línguas sejam destruídas diante das banalidades virtuais. As famílias também devem colocar limites para os jovens, proporcionado a eles outras práticas de diversão, bem como os estimular à leitura de livros e revistas adequados à idade de cada um.

Quando a criança ou o adolescente convivem com exemplos de pais que leem dentro de casa, eles não resistem à leitura, e sabemos que este é um fator que enriquece o vocabulário, oportuniza o aprendizado da gramática bem como da ortografia, além dos prazeres proporcionados pelo hábito de ler.

Assim, é necessário buscar formas de fazer os jovens não levarem esses aprendizados para a escrita formal, pois estes serão prejudicados tanto na fase escolar, como na vida profissional.

.
.
590415
0 Comentários
Foto do usuário que comentou a matéria

Relacionadas