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19/04/2013 - 09h29 - visualizações

Violência Escolar

Autor Nayara Spessato

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Duas notícias intrigaram a sociedade na semana passada. Primeiro, o caso da professora de uma escola estadual de São Paulo, que ficou com o olho roxo depois que um aluno jogou uma lixeira no rosto dela dentro da sala de aula. Ela contou que os estudantes apagaram as luzes da escola para causar confusão e, nesse momento de escuridão, um deles a atingiu. O agressor ainda não foi identificado.

E segundo, o caso de uma professora do Paraná que foi demitida por causa de um castigo que aplicou a um aluno. Ela colocou uma fita adesiva na boca da criança para calar o menino, de oito anos, que estava fazendo bagunça. Foi durante uma aula de artes em uma escola municipal em Dois Vizinhos. A mãe do menino procurou a diretora do colégio, que disse que a professora era recém-formada e tinha pouca experiência em sala de aula.

A Secretaria de Educação demitiu a educadora nas duas escolas onde ela trabalhava. Já o Conselho Tutelar da cidade, encaminhou o processo ao Ministério Público. O menino continua frequentando a escola e está sendo acompanhado por uma psicóloga.

Em tempos nos quais os índices de violência são altos para os padrões atuais, vivemos fortes experiências de medo, irracionalidade e perda de controle, sentimentos tão contrários a ideia de paz. Exemplos disso são situações como briga nas escolas, vandalismo, consumo de drogas ou agressão a professores e alunos.

Pesquisas recentes realizadas pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em vários estados do Brasil, inclusive no Paraná, bem como, a experiência prática no cotidiano das escolas, indicam que o fenômeno da violência escolar é um problema que tem se agravado. Por isso, em função de sua natureza complexa, exige consistência e formas variadas de intervenção para sua redução e prevenção.

De acordo com o conselheiro tutelar de Maringá, Vandré Fernando, as ocorrências de violência escolar em Maringá chegam diariamente. “São casos de cyber-bullying, bullying, agressões psicológicas, verbais e físicas. Entre alunos e entre alunos com professores. Dias atrás atendi o caso de quatro crianças que “pisaram” (subiram no teto e capô dos carros e pularam, amassando a lataria) nos carros de duas professoras, os pais vão pagar os consertos.”

Pode-se apontar alguns aspectos relacionados a isso, como educadores não capacitados para lidar com a situação, problemas de gestão e de liderança escolar, ação policialesca com os alunos, etc.

Como educação e violência se entrelaçam? Um ambiente de crianças e adolescentes que deveria ser, a priori, tomado por momentos de descobertas, curiosidades, alegrias, amizade e companheirismo. A escola é um lugar de busca de conhecimento produzido pela humanidade e compartilhado para as novas gerações. Dessa maneira, serve como espaço para o exercício da cidadania e para alcançar este objetivo, a instituição deve ser acolhedora, inclusiva e segura.

A escola é um dos ambientes mais propícios para o aprendizado de valores que norteiam uma sociedade pacífica com respeito, ética e justiça.

“A sociedade é o principal responsável por estes atos de violência nas escolas. Acredito que não devemos chamar de violência escolar, devemos chamar de violência comunitária considerando que o ambiente escolar é o ponto de encontro das diferentes educações, comportamentos, escalas de valores culturais e sociais. Na escola o aluno repete o que é lhe ensinado e os exemplos que recebe da família, da mídia, do bairro/condomínio onde reside. A violência acontece no espaço escolar, mas na maioria das vezes é gerada em outros ambientes”, afirma Vandré.

As crianças e jovens estão sempre se espelhando nos adultos a sua volta. Responsáveis pela educação por meio de ensinamentos e, principalmente de atitudes, são para os pais, mães, educadores, policiais, políticos, autoridades, que se deve direcionar o olhar.

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O conselheiro alerta que a violência é um comportamento que deve ser trabalhado entre todos, até porque as crianças têm exemplos de violência a todo o momento. “Vejamos o trânsito, o MMA que é o esporte do momento, jogos virtuais... Adianta  a escola ensinar que não pode agredir as pessoas e o aluno chegar em casa e a família se agredir? Adianta a família educar que não pode agredir as pessoas e a criança sair na rua e ver adultos discutindo no trânsito? Por isso que violência é problema de todos, e é muito comum o sistema julgar por agressão os hematomas físicos. Na verdade o termo agressão é muito amplo, alienação parental é violência, falta de serviços públicos é violência, violência gera violência na maioria dos casos. Também é comum o sistema tratar, se é que trata, o efeito e não a causa.”

Para amenizar este problema o trabalho deve ser em conjunto com aluno, família, escola, rede de atendimento à criança e ao adolescente, técnicos (Psicólogos, Pedagogos, Assistentes Sociais, Sociólogos, Advogados) e governos.

Cada caso deve ser avaliado com suas particularidades, cada um tem suas realidades,  e depois de identificado os problemas devem partir para o campo da solução com a realização de atividades educativas, esportivas e culturais. Lembrando que uma mudança de comportamento não é do dia pra noite, mas necessita de investimentos diários.

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