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04/09/2013 - 19h32 - visualizações

Educação & Treinamento: Onde estão os empregados

Autor Luiz Fernando Cardoso

Por Adriano Danhoni*, de Curitiba

O Brasil mudou muito nos últimos anos. Desde o advento do Plano Real, testemunhamos inúmeras transformações em nossa sociedade. Tivemos aumento da expectativa de vida, aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da ONU, diminuição da mortalidade infantil, aumento da escolarização, estabilização da inflação, aumento do salário mínimo, etc.

As estatísticas, pesquisas e, principalmente, o IBGE trazem dados que revelam o desenvolvimento do nosso país nos últimos 19 anos.

Nesse período, tivemos crises financeiras nos anos de 1997, 1999, 2001 e 2008. Esta última, a mais terrível de todas, desde a Grande Depressão de 1929. A causa da crise que vivemos foi o desequilíbrio na maior economia do mundo, os Estados Unidos. E os ataques de 11 de setembro têm a ver com isso.

"Depois da ofensiva terrorista, o governo americano se envolveu em duas grandes guerras, no Iraque e Afeganistão, e começou a gastar mais do que deveria", diz Simão Davi Silber, professor do departamento de economia da Universidade de São Paulo (USP).

Contudo, o que poderia ser uma tragédia para a economia brasileira, revelou-se uma grande surpresa para nós mesmos e o mundo. Com medidas de estímulo a diversos setores, o governo conseguiu segurar o grande impacto negativo da crise e conseguiu que nossa economia não só resistisse como até mesmo crescesse.

Junto com esse crescimento, aconteceu algo inusitado para a própria história brasileira: o desemprego caiu tanto (5,6% em julho/2013, IBGE) que atingimos o que economistas chamam de situação de pleno emprego. O que isso significa? Que um trabalhador, ao decidir sair de casa pela manhã, para procurar um emprego, conseguirá. Pode não ser aquele emprego desejado. Mas, não voltará de mãos abanando ao final do dia.

Mas, o pleno emprego, visto pela ótica de quem contrata é um cenário desalentador. Funcionários estão cada vez mais raros de se contratar. Os responsáveis pela seleção de talentos estão cada vez mais com dificuldades. As micro, pequenas e médias empresas, que não tem tantos atrativos em sua cesta de benefícios.

Estive reunido, nos últimos 10 dias, com responsáveis pela área de seleção e diretores de algumas empresas e constatei a gravidade da situação em empresas da região noroeste do Paraná. Numa concessionária de veículos pesados, a responsável disse que o processo de contratação tem sido um pesadelo. Além da baixa procura nas vagas abertas, o processo de seleção, contratação, registro e efetivação tem sido árduo.

“Temos casos de pessoas que passam pela seleção e não aparecem no primeiro dia de trabalho. Alguns desistem já no processo de integração. E outros, não conseguem completar os três meses de experiência”, disse Angelita. E por que isso? “Alguns estão trocando de emprego por diferenças de 10 a 20% nos salários. E não se importam com registro de pouco tempo na Carteira de Trabalho."

Já o diretor de uma empresa de capacitação e treinamento em informática foi muito duro: “torço para que o desemprego aumente. Que chegue a 10% ou 15%. Só assim os funcionários voltarão a dar o devido valor ao emprego. E procurarão se agarrar mais a uma oportunidade”, disse Sergio, revoltado com a situação de alta rotatividade de funcionários em sua empresa.

Visitando um grande fabricante e distribuidor de antenas parabólicas, a constatação foi fulminante. “O processo de contratação está tão complicado nos últimos dois anos, que só temos 280 funcionários. Já tivemos 430 funcionários. Esperamos que os empregados voltem com a alta do dólar. É nossa esperança”, disse um desiludido gerente de RH, que preferiu não ter nem o primeiro nome divulgado.

Em tempos de vinda de médicos estrangeiros para suprir lacunas nos rincões do País, a pergunta que fica é: “onde estão os empregados?”

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José Adriano Danhoni Neves
, natural de Maringá, é analista de sistemas por formação. Assumiu cargos de comando desde o começo de sua carreira profissional, em 1988. Foi gerente administrativo, de projetos, marketing, administrativo e financeiro, negócios e superintendente. Cursou MBA de Gestão de Empresas e de Marketing. É proprietário da CJB Consultoria e mantém um site de palestras e treinamentosNo Café com Jornalista, assina a coluna  “Educação & Treinamento”. Contatos pelo e-mail [email protected] e telefones: (44) 9990-6791 / 9892-1473.
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