Logo do Jornal ODiário.com
Sem Categoria-93
23/01/2019 - 17h24 - visualizações

O cenário assombroso que envolve Flávio Bolsonaro

Autor José Pedriali

O ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, 42, está foragido e é um dos 13 alvos de uma operação deflagrada nesta terça-feira (22) pelo Ministério Público para prender suspeitos de chefiar milícias que atuam nas comunidades como de Rio das Pedras e Muzema, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro (Folha de S.Paulo).

A mulher e a filha de Nóbrega trabalharam no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro, eleito senador em outubro. Deixaram o emprego no final do ano passado. Estavam lá quando, em agosto, o jornal O Globo revelou que Nóbrega era apontado pela polícia como chefão do Escritório do Crime, organização especializada em matar sob encomenda. A organização é a principal suspeita do assassínio de Marielle Franco e seu motorista.

Mãe e esposa de Nóbrega foram indicadas por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, que se demitiu em outubro, ao saber que sua movimentação financeira havia caído na malha fina do Coaf.

Desde a denúncia, feita pelo Estadão no início de dezembro, até se internar no final daquele mês no Albert Einsten, de São Paulo, para a retirada de um tumor, Queiroz refugiou-se na favela Rio das Pedras, onde Nóbrega anda e desmanda. Nem ele nem a família (esposa e três filhas trabalharam com Flávio) atendeu às intimações do MP para depor. Flávio recusou o convite.

Queiroz movimentou R$ 7 milhões em sua conta de 2015 a 2017. Assessores de Flávio – incluindo mulher e mãe de Nóbrega – fizeram depósitos nesta conta. Flávio, que fez depósitos mais que suspeitos, é investigado na esfera civil pelo MP, que também investiga mais de 20 deputados estaduais do Rio em situação similar.

Some-se a movimentação financeira suspeita de Flávio e Queiroz, a amizade deste com o chefão das milícias e a cumplicidade de Flávio com seus crimes, pois manteve em seu gabinete mãe e filha dele mesmo sabendo do que era acusado, e vislumbra-se um cenário assombroso. Cenário no qual o pai do protagonista, o presidente da República Jair Bolsonaro, tem papel relevante por sua longa e íntima relação com Queiroz, por ter recebido dinheiro dele na conta da mulher, por manter em seu gabinete uma das filhas dele sem que ela comparecessem ao trabalho.

Nem a mente mais maligna seria capaz de conceber uma trama tão sórdida. Os fatos, no entanto, a estão tecendo. E os personagens, em vez de dissolver a teia com argumentos convincentes, a ampliam e reforçam com meias verdades, mentiras e fugas.

Por favor, belisquem-me: quero acordar deste pesadelo!

736167
0 Comentários
Foto do usuário que comentou a matéria

Relacionadas