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24/01/2019 - 19h46 - visualizações

A fuga de Jean Willys e a mensagem macabra de Bolsonaro

Autor José Pedriali

Penso (praticamente) o oposto que Jean Wyllys, considero-o um gay afetado, recrimino-o por várias atitudes como deputado – entre elas cuspir no rosto do então colega Jair Bolsonaro no plenário da Câmara -, mas me solidarizo com ele por causa das ameaças que vem recebendo.

Ameaças que o fizeram contratar segurança e o induziram a trocar a vida boa de deputado federal (salário líquido de mais de 20 mil reais, mais isto e mais aquilo) pelo exílio sabe-se lá onde, anunciado hoje. Ele se reelegeu na bacia das almas (míseros 24 mil votos) para o terceiro mandato consecutivo.

O deputado foi vítima de inúmeras fake news antes, durante e depois da campanha eleitoral, por parte dos bolsonáticos – bolsonaristas fanáticos -, sendo a mais grotesca delas a de autoria do ex-ator pornô, especialista em filmes gay, Alexandre Frota, eleito deputado federal pelo partido do presidente da República. A montagem, que acusava Willys de defender a pedofilia, custou uma condenação por danos morais no valor de quase R$ 300 mil a Frota.

Wyllys é do PSOL. Sua colega de partido, a vereadora carioca Marielle Franco, foi assassinada pelas milícias. Seu colega de partido, Marcelo Freixo, deputado estadual, estava na mira do mesmo grupo de criminosos – só não morreu porque a polícia descobriu em tempo a conspiração, em dezembro. Como Wyllys poderia ficar tranquilo se, além das ameaças que recebe, descobre que Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente e senador eleito, empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio a mãe e a esposa do chefe da milícia acusada da morte de Marielle e de tramar o assassínio de Freixo? E que, durante anos, manteve como seu principal assessor Fabrício Queiroz, amigo do bandidão e que, após a descoberta pelo Coaf das lambanças em sua conta bancária, escondeu-se na região controlada pelo chefe miliciano? E que esse mesmo Queiroz partilhou da intimidade dos Bolsonaro, a ponto de depositar dinheiro na conta da agora primeira-dama?

O anúncio de que vai deixar o país é a notícia mais negativa desde a posse de Bolsonaro na presidência – e certamente correrá o mundo. E, em vez de prestar solidariedade ao ex-colega ameaçado (e estancar a sangria de sua imagem), Bolsonaro comemora no Twitter: "Grande dia", escreveu com a profundidade que o caracteriza. O filho Carlos foi na mesma toada. Os bolsonáticos idem.

Esta não é a atitude que se espera de um chefe de Estado, cuja missão é zelar e garantir a segurança dos cidadãos - de todos, não importa cor, sexo, orientação sexual, profissão, militância política, condição social e formação escolar.

A reação de Bolsonaro ao ato de desespero de Wyllys equivale a uma escarrada e um murro no rosto da nação. E a uma advertência a todos os que não concordam com ele ou o criticam pontualmente ou venham a discordar: “Amem-me ou vazem, talquei? Senão..."

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